Por isso temos que ficar de olho em nosso lítio, nosso nióbio, etc…
“É preciso memorizar e relembrar o modus operandi dos Estados Unidos. Nicolás Maduro não é inocente. Contudo, o ditador não é o verdadeiro alvo. O objetivo histórico do imperialismo norte-americano é o controle estratégico de territórios, recursos e poder”.
A história recente demonstra que intervenções militares lideradas pelos Estados Unidos raramente têm como objetivo central a democracia. Iraque, Líbia, Síria e agora Venezuela formam uma sequência lógica de um mesmo padrão geopolítico: países estratégicos, ricos em recursos ou posicionados em regiões-chave, tornam-se alvos sob o pretexto de libertação, enquanto o verdadeiro objetivo permanece econômico, energético e militar.
É preciso reafirmar um ponto essencial: Nicolás Maduro não era nenhum santo. Seu governo acumulava denúncias de autoritarismo, repressão política, colapso institucional e violações de direitos humanos. O mesmo, porém, era verdade, em maior ou menor grau, para Saddam Hussein, Muammar Gaddafi e Bashar al-Assad. Ainda assim, apenas alguns regimes foram selecionados para a “exportação da democracia”.
IRAQUE: ARMAS INEXISTENTES, PETRÓLEO REAL
Em 2003, os Estados Unidos invadiram o Iraque sob a alegação de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. Elas nunca foram encontradas. O que o país possuía, comprovadamente, eram vastas reservas de petróleo e uma posição estratégica no Oriente Médio. O resultado foi a destruição do Estado iraquiano, centenas de milhares de mortos, instabilidade permanente e a abertura do setor energético a interesses estrangeiros. A democracia prometida nunca chegou. O petróleo, sim, foi redistribuído.
LÍBIA: DA “PROTEÇÃO DE CIVIS” AO COLAPSO DO ESTADO
Em 2011, a OTAN interveio na Líbia com o discurso de proteger civis do regime de Muammar Gaddafi. A operação terminou com a queda do governo, a morte do líder líbio e o colapso completo do país, que até hoje vive fragmentado entre milícias, tráfico humano e guerra civil. A Líbia possuía uma das maiores reservas de petróleo da África e um projeto de autonomia econômica que incomodava interesses ocidentais. O resultado foi a destruição da soberania nacional em nome de uma democracia que jamais se consolidou.
SÍRIA: SOBERANIA CONTESTADA E GUERRA POR INFLUÊNCIA
Na Síria, o discurso foi novamente o mesmo: derrubar um ditador. Bashar al-Assad tornou-se o inimigo a ser removido. A diferença é que, ali, Rússia e Irã intervieram diretamente, impedindo uma queda rápida do regime.
O país se transformou em palco de uma guerra por influência global, envolvendo rotas energéticas, presença militar e contenção de potências rivais. A democracia, mais uma vez, ficou em segundo plano diante da disputa estratégica.
VENEZUELA: O MESMO ROTEIRO, NOVOS DISCURSOS
A Venezuela se encaixa perfeitamente nesse padrão. O país detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, além de terras raras e minerais estratégicos essenciais para a economia do século XXI. Sua aproximação com Rússia, China e Irã a transformou em alvo prioritário.
Donald Trump nunca escondeu isso. Em 2019, declarou publicamente: “The United States could have taken the oil. We should have taken the oil”.
Essa frase resume toda a lógica da intervenção. Maduro é o personagem conveniente. O verdadeiro conflito é pelo controle dos recursos e da soberania energética.
UM PADRÃO HISTÓRICO INEGÁVEL
Em todos esses casos, o roteiro se repete:
*Demonização do líder
*Discurso moral de libertação
*Intervenção direta ou indireta
*Desestruturação do Estado
*Reorganização do controle econômico
Ditaduras existem em diversas partes do mundo, inclusive aliadas históricas dos Estados Unidos. Mas apenas aquelas localizadas sobre petróleo, rotas estratégicas ou minerais críticos entram na mira militar.
Maduro não é inocente. Saddam não era. Gaddafi não era. Assad não é. Mas nenhum deles caiu ou foi alvo por falta de democracia.
Caíram, ou tentaram derrubá-los, porque governavam territórios estratégicos demais para permanecer fora da órbita de controle das grandes potências.
A democracia costuma ser o discurso. O petróleo, as terras raras e o poder são o objetivo real.
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Redação: Folha do Estado






















