Bisturi em excesso: Brasil lidera cirurgias plásticas em meio a pressão estética crescente

Procedimentos cirúrgicos estéticos disparam e escancaram confusão entre saúde e padrão de beleza

O Brasil realizou mais de 2,3 milhões de procedimentos cirúrgicos estéticos em 2024, assumindo o topo do ranking mundial, segundo dados divulgados pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) em junho deste ano. O país também aparece em segundo lugar na quantidade de procedimentos não cirúrgicos.

No cenário global, foram realizados mais de 17,4 milhões de procedimentos cirúrgicos e 20,5 milhões de procedimentos não cirúrgicos somente em 2024. Desde 2020, houve um aumento de 42,5% nesses procedimentos em todo o mundo.

Em 2023, o Brasil contabilizou cerca de 3,3 milhões de procedimentos estéticos, incluindo cirurgias e intervenções não cirúrgicas.

Especialistas alertam que, muitas vezes, essa demanda ultrapassa a vaidade e reflete um sistema que confunde saúde com padrões estéticos. Para o cirurgião plástico Vinicius Julio Camargo, é fundamental que haja equilíbrio entre a demanda por procedimentos e a real necessidade clínica.

“A decisão de operar não pode partir do espelho, mas da escuta. Nem todo desejo de mudança estética representa uma demanda legítima”, afirma. Segundo ele, o problema está na banalização do ato cirúrgico e na perda de critérios objetivos para indicação.

A lipoaspiração é o procedimento mais realizado no Brasil, representando 12,3% do total de cirurgias estéticas, de acordo com a ISAPS.

Camargo também critica a cultura do imediatismo e a busca por transformações radicais, que podem prejudicar o corpo e a saúde mental dos pacientes. “Cirurgia plástica não é sobre fazer mais. É sobre fazer o que é certo, para quem realmente precisa, na hora certa.”

O cirurgião destaca ainda a importância da integridade profissional, mesmo quando a decisão ética não é popular.

Dr. Vinicius é autor do livro ‘O Sucesso Além do Jaleco’, voltado a médicos e profissionais da saúde. Na obra ele também defende que o bisturi deve ser guiado por critérios técnicos e responsabilidade médica, não apenas pelo desejo do paciente.

“A cirurgia começa muito antes da sala de operação. Começa no tempo dedicado à escuta, na análise do sofrimento real, físico ou emocional, que motiva aquela pessoa a buscar a intervenção”, explica.

Na obra, Camargo detalha que sua prática clínica é pautada por três princípios: ética, excelência e humanização. A ética, ao dizer “não” quando a cirurgia não é indicada; a excelência, na busca por resultados que respeitem a anatomia individual; e a humanização, no vínculo estabelecido desde o primeiro contato com o paciente.

 

Por Thaise Guidini – Assessora de Imprensa
Coluna Klug em Foco

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