BRASIL: ENTRAVES, AVANÇOS E REJEIÇÕES NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 2024

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O BRASIL NÃO É PARA PRINCIPIANTES

Por L. Pimentel

As pesquisas eleitorais para o pleito majoritário de 2024, que já aparecem em alguns cenários de vários municípios, ainda não têm o rigor técnico e nem mesmo seguem as variáveis do processo eleitoral. E mais que isso, algumas delas têm como base apenas o tracking (monitoramento), as verificações telefônicas, e até algumas manipuláveis por absoluta falta de exigências legais.

Todavia, se tomadas em conjunto, algumas dessas pesquisas minimizam as leituras tendenciosas e podem oferecer uma boa fotografia dos quadros eleitorais que já se vislumbram no horizonte. No entanto, importa registrar que o papel das pesquisas precisa ser revisto, porque se elas não definem eleição, contribuem por interferir na expectativa dos eleitores que vão fluindo ao sabor dessas informações.

Estamos a poucos passos do caminho, a exatos 10 meses à frente das eleições de setembro para as Prefeituras e Câmaras de vereadores. Nada mais natural então que as pesquisas atuarem para refletir muito mais o fato real – como o resultado da eleição anterior para a presidência do Brasil – que o fato-futuro, ou seja, a intenção de votos para o próximo ano. Logo, é fácil concluir que os números desses levantamentos, e não mais que isso, mostrem, com muito mais força, o recall, ou o índice de lembrança dos nomes consultados. E isto está diretamente relacionado ao nível de exposição no pleito anterior e sua visibilidade atual, muito maior ainda se o pré-candidato for detentor de algum mandato – seja de vereador, prefeito ou até mesmo de deputado estadual ou federal. Sim, pois sempre tem deputados que desejam governar suas cidades de origem.

Desse modo, não há muita surpresa nos números de intenção de votos, se os mais lembrados são os mais conhecidos; ou quem tem mais preferência; ou ainda com o recall mais positivo. Verificando os resultados disponíveis, todos aqueles bem colocados já estiveram em cargos públicos, além de já terem disponibilizado suas fotos nas urnas de várias eleições anteriores.

A surpresa maior fica por conta dos elevados índices de rejeição. Tal fato sempre foi comum a quase todos os players previstos para as eleições, que agora sofrem um inchaço e, de maneira surpreendente, as rejeições são mais expressivas que a intenção de voto para praticamente todos os postulantes. É preciso refletir sobre isso porque esse fato remete às eleições nacionais, sem juízo de valor, onde Lula e Bolsonaro em vários momentos sofreram, e muito, com suas rejeições.

A primeira indicação é que o eleitor, cansado de tantas decepções com suas escolhas, segue cada vez mais desconfiado e exigente. Todos sabem que as qualidades, ainda que menos alardeadas, fluem com menor velocidade que eventuais deslizes de qualquer pessoa. Também sinaliza um descrédito na classe política. Cada vez menos pessoas acreditam que este é o caminho para resolver suas demandas, e isto é preocupante porque ainda não inventaram nada decente e razoável que sirva de alternativa à democracia representativa.

Indica também que o novo eleitor, este sim uma entidade definitiva, face à nova política ainda circunstancial, de posse de novos e poderosos instrumentos, ganha voz e, por conta do volume de informações circulantes no dia a dia, faz leituras próprias, apresenta e discute suas opiniões e, a cada dia é menos refém das narrativas tão ao gosto da política tradicional. Ninguém mais vende remédio vencido na farmácia eleitoral, mas parece que parte da classe política ainda não se deu conta desse fenômeno e, quando consciente, tenta combater com exércitos de disseminação de informações contaminadas sob as deslumbrantes e invariáveis vestimentas das fake news. E, preparem-se, se textos primários já convenciam parte dos eleitores – muitos munidos de formação adequada – a nova geração de fakes, turbinadas pela IA, acabarão enganando até as mães dos candidatos.

Com um certo romantismo, tento acreditar que apenas o vínculo de nomes razoáveis com ideias interessantes, transformadas em boas bandeiras eleitorais, podem alterar o rumo dos fatos.

Por fim, as regras eleitorais, somadas às conveniências partidárias letradas, em traduzir respostas eleitorais em ação, crava que lançar candidatos é sempre a melhor alternativa para qualquer legenda, logo, quem quer ser candidato, basta que se movimente e mostre a carteira que terá legenda disponível. Pode até ocorrer divergências, mas a tendência de muitos nomes na disputa parece ser a regra em quase todos os municípios.

Portanto, nos bastidores será intensa a busca por composições, na contramão dos interesses partidários, mais convenientes para gerar expectativa eleitoral e garantir, além do preenchimento das vagas, a fidelidade das chapas proporcionais. Composições servem exatamente para aumentar as odds eleitorais, visto que, você sabe muito bem, identidade ideológica só se exige nos extremos.

Lógico, o dia ainda está muito longe, mas, quem é versado em política sabe que eleições se ganham no último mês de campanha, ou na véspera, com um conjunto de ações que atinjam, via marketing, as componentes emocionais e racionais do eleitor que se traduzem em intenção de votos. Ressalvo, todavia, que tal análise não se sustenta em eleitorados de até dez mil eleitores, onde eleições ainda são um clássico entre o atual e o anterior e as variáveis pessoais e financeiras sempre são fatores decisivos.

Fora deste corte, todo o modelo brasileiro aponta para o confronto entre personalidades e, sem desconhecer a necessidade de nomes competentes para pilotar projetos, são estes nomes a matéria prima ideal para que o eleitor se defina.

A desconfiança nos políticos deveria motivar o segundo passo e exigir ideias e projetos associados aos nomes, até como forma de reduzir as desilusões eleitorais. Sempre votamos em personalidades e, via de regra, nos decepcionamos por dar um cheque em branco para suas ações. Não seria a hora, então, de exigirmos além de ideias, também os planos de governo dos candidatos? E planos que tragam suas assinaturas? Planos por escrito. Para que possam ser cobrados depois?

E não esqueçamos: “os acontecimentos de ontem, com a prisão de pessoas envolvidas em golpes de estado, etc., tudo isso será um complicador que vai nos levar a uma condição sine qua non para a escolha dos nomes que venhamos ter nas eleições de 2024”.

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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