CLAUDIR MACIEL ABRE O JOGO E DIZ QUE GOVERNO DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ DEVE SER PARA TODOS

O pré-candidato abriu o coração durante entrevista ao Podcast da Folha do Estado

Por L. Pimentel

O ex-vereador e agora pré-candidato a prefeito de Balneário Camboriú, Claudir Maciel (PSB) disse nesta terça-feira em entrevista ao Portal Folha do Estado, que um governo para ser considerado bom, deve governar para todos. Deve atender as necessidades do centro da cidade, mas também estender esse mesmo olhar para as periferias, “pois é lá que reside a maioria da mão de obra especializada, quase sempre contratada pelas grandes construtoras para executar serviços afins que o setor precisa, não apenas para elevar o nível de seus projetos – mas para colocar a mão na massa mesmo – projetos esses que hoje estão por toda a orla, de norte a sul do município oferecendo um visual diferente. Claudir foi categórico ao afirmar que esse pessoal que mora nas periferias de Balneário Camboriú, que têm lá suas famílias, seus filhos que precisam ir à escola, suas mulheres que necessitam trabalhar, pegar ônibus todo dia, enfim ter as condições mínimas para transformar seu dia a dia mais produtivo, também precisa ser visto como “gente” capaz, igual às gentes que habitam nas áreas mais centrais da cidade.

QUEM É CLAUDIR MACIEL?

Esta foi a primeira pergunta do apresentador Elias Tenório ao pré-candidato, que ele respondeu assim: “Sou um cidadão como outros tantos milhões de brasileiros. Sou filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, que com muita dificuldade souberam cuidar muito bem de mim e de meus irmãos, 10 ao todo. Crescemos enfrentando as dificuldades da vida, mas todos trabalhando. Eu mesmo comecei nessa luta quando tinha uns 10, 11 anos, na região da praia central de Balneário Camboriú.

Claudir revelou que aos 13 anos teve seu primeiro contato com a política. Decorria então o ano de 1984, quando à época havia aqueles movimentos intermitentes pelas Diretas Já. Naqueles tempos, ainda muito jovem, Claudir disse que não sabia muito bem o que significava uma Democracia, mas tinha certeza de que era melhor que uma Ditadura. Que era melhor viver na liberdade do que alguém controlando a sua vida. “Se a liberdade é o maior bem que nós temos, é por ela que temos que lutar”!

Depois disso, Claudir conta que ingressou nos movimentos estudantis no colégio, depois na universidade, mais adiante ingressou no serviço público trabalhando em vários setores, e finalmente disputou sua primeira eleição pelo PSB ficando na primeira suplência. Não foi eleito porque lhe faltaram 4 votos para isso. Daquela eleição em diante candidatou-se novamente a vereador já no início dos anos 2000, reelegeu-se por várias vezes: 2004, 2008, foi presidente da Câmara Municipal, posteriormente Secretário Municipal de Planejamento Urbano e Secretário de Estado em duas oportunidades.

No ano de 2010 Claudir candidata-se a deputado estadual ficando como primeiro suplente. Em 2016 planejava uma candidatura a prefeito, já havia mantido contatos com diversos partidos, com o governador à época, mas quando chegou próximo da eleição veio a ordem de cima e lhe tiraram do partido. (A cúpula entregou o partido pelo qual ele seria candidato, nas mãos do atual prefeito, que acabou sendo eleito).

Com isso, Maciel resolve dar um tempo, deixar a política de lado – afinal já estava nela há 20 anos – para cuidar mais da família, estudar etc. Chegou a estudar física quântica, o que garante, foi revelador. Foi como tirar a venda dos olhos e ver o mundo sob outra perspectiva. “Nós todos somos criados sob condicionamentos, sejam eles familiares, da igreja, da escola, de culturas diversas. Você muitas vezes deixa de ser você mesmo ouvindo essas verdades. Às vezes as verdades servem para alguns, mas não são verdades absolutas. Tanto é verdade que quando você acaba encontrando esses limites, acaba também encontrando novas possibilidades”, destaca.

PROJETO DO RIO PEROBA

Ainda quando vereador, poucas pessoas sabem ou lembram que Claudir Maciel foi o autor, entre outros projetos, de um importante PL, o de reurbanização de toda a extensão do Rio Peroba. Naquele tempo a oposição havia elegido 7 dos 17 vereadores do legislativo municipal. Os outros 10 eram da situação. O prefeito à época era Leonel Pavan. Logo que assumiram, um dos 7 vereadores de oposição, certamente convidado pelo prefeito, se bandeou para o outro lado, ficando 11 a 6. Só que 2/3 da Câmara era 12. A prefeitura precisava de 12 votos para certas aprovações. Foi quando os seis restantes se reuniram com Claudir e ouviram o seguinte: “se nós queremos obter alguma coisa de positivo em nossos mandatos, temos que nos unir. Só assim conseguiremos. Só teremos força política se estivermos juntos. Então formamos um bloco político. Era eu, o Piriquito (que mais tarde veio a ser prefeito), Orlando Angioletti, Jorge Cachel, o Tanaka (que representava a Barra) e mais dois, e aí formatamos esse bloco para o qual fui indicado como seu líder.

Nessa altura, Pavan já havia renunciado a prefeitura para candidatar-se ao Senado. Rubens Spernau, que era seu vice, assumiu o governo. Spernau então mandou um Projeto de Lei para a Câmara estabelecendo o “Solo Criado”. Tratava-se de uma sobretaxa permitindo que a construção civil que construísse mais, pagasse essa taxa. Quando isso chegou à Câmara, eram necessários 12 votos para aprovar. Foi então que os seis de oposição, liderados por Claudir se manifestaram: “olha, nós não estamos aqui para atrapalhar o andamento do município, mas a condição que propomos para aprovar esse projeto é que o dinheiro que for arrecadado venha a ser investido nas seguintes obras: primeiro precisamos construir a 6ª Avenida, retirando de lá mais de 100 famílias que viviam em palafitas, que eram casebres sobre o Rio Peroba, situação que não combinava com a cidade de BC propriamente dita. Além de uma série de outras obras que foram feitas no arrasto do projeto Solo Criado” lembra Maciel.

RELEMBRANDO

O pré-candidato Claudir Maciel conta que a intenção com a implantação do Solo Criado era de arrecadar mais ou menos R$ 17 milhões. No entanto, revela, daquela época para cá já foram arrecadados mais de R$ 2 bilhões de reais. Que a Lei foi muito além do que esperavam seus próprios autores. “Com isso nós conseguimos fazer uma transformação do Bairro dos Municípios, que é o segundo maior bairro de Balneário Camboriú, mas que até então não contava com nenhum investimento do poder público. Suas ruas ainda eram de chão batido, o esgoto corria a céu aberto em vários pontos, a metade do bairro acabava ali nas imediações do Rio Peroba. Depois disso melhorou a vida de muita gente, o bairro passou a crescer no sentido da implantação de casas comerciais fortes, de escolas, instituições, inclusive com a construção do próprio hospital HRC, que hoje atende além de BC vários outros municípios da região. Foi através de um debate sadio, público, republicano que conseguimos todas essas melhorias em benefício daquela população”, relata Claudir.

CRESCIMENTO VERTICAL DA CIDADE

No ano de 2006 Claudir Maciel era o presidente da Câmara, época em que foi feita uma revisão do Plano Diretor da cidade. Ele relata que antes disso a Lei exigia que na Avenida Atlântica fossem construídos apartamentos com no mínimo 65 metros quadrados e nas demais regiões, 55 metros. Nessa revisão do Plano Diretor, relata, ficou decidido que era necessário construir riquezas, para que essas riquezas viessem a ser divididas com a sociedade. Em 2002/03 a Câmara já havia aprovada a construção de uma marina para 400 vagas (Marina Tedesco). “Era preciso então fazer alguma coisa para que pudéssemos equiparar a velocidade com que a marina ia enchendo de barcos de 100, 200 mil dólares, enquanto nossos apartamentos marcavam passo. Tínhamos que estipular uma nova metragem para as construções. Foi então que começamos a exigir apartamentos com 210 metros quadrados. Onde eram feitos 100 aptos por terreno, passou-se a fazer 30, porém, com valor agregado. Ficou estipulado que na região da orla o mínimo seria 170 metros quadrados, enquanto nas demais regiões, 140 metros”.

“Com isso elevamos os padrões da construção civil, atraímos investidores do resto do país, e saímos de uma condição de US$ 100 mil dólares por apartamento, pra hoje acima de US$ 1 milhão de dólares. Depois do Solo Criado veio a Outorga Onerosa, depois o TPC e outros mecanismos que incentivaram a construção civil. Com isso a prefeitura passou a arrecadar mais, muito mais com o IPTU, ISS, ITBI como também nas Outorgas. Apenas de 2008 até 2022 a prefeitura já havia arrecadado R$ 870 milhões só com a Outorga Onerosa. Isso além do orçamento. É uma ótima receita que se arrecada no setor produtivo, mas que é preciso ir investindo nos bairros. O que estamos discutindo agora são essas contradições que estão acontecendo em Balneário Camboriú. Porque, num certo momento, nós incentivamos a criação de riquezas, só que essas riquezas ficaram apenas na beira-mar. Os bairros ficaram a mercê, não havendo a distribuição equitativa. Toda essa arrecadação da prefeitura acaba voltando para os próprios ricos, o que não é justo. Nós temos que ter um fluxo contínuo desses recursos públicos, porque se a lei incentiva e permite que se empreenda, que se ganhe muito dinheiro (e hoje todas as construtoras vão muito bem, obrigado), elas estão pagando bastante imposto também, só que esses impostos que estão indo para os cofres da prefeitura, acabam voltando para a própria Avenida Atlântica. Exemplificando, foram gastos R$ 100 milhões para fazer o aterro da praia, agora estão anunciando R$ 400 milhões para a reurbanização, só que não tem uma obra sequer de maior importância implantada ou programada para ser erguida em um bairro da cidade. É ou não é um governo para os ricos?” pergunta Claudir Maciel.

ATENÇÃO

Para você ouvir na íntegra toda a entrevista, basta acessar este link: https://youtube.com/live/0x6PWH_j27E

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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