COMENTÁRIO: “LIVRES PARA OFENDER”

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PONTO DE VISTA

Por L. Pimentel

Uma das características da Constituição Brasileira de 1988 é a determinação da Liberdade de Expressão, principalmente nos seus incisos IV e IX do artigo 5º. Poderíamos dizer que foi um grande avanço, pois estávamos vindo de um regime militar em que a censura estabelecia o cerceamento da liberdade de expormos as nossas ideias. Contudo, uma coisa a ser avaliada à época, em um contexto não apenas político, mas também na esfera social em que se davam as relações interpessoais, é o regime de exceção que durou até os dias de hoje.

Para nos aprofundarmos no conceito social muito influenciador a partir dos anos 80, temos que traçar duas vertentes, uma na esfera cultural, na qual se esboçava a liberdade de não mais aprisionar as crianças em uma educação mais rígida, ou mais antiga, seguindo os novos preceitos da psicologia, que preconizava liberdade em excesso às crianças, e outra, ampliada pela televisão, que, através de suas novelas e alguns outros programas, mostrava jovens desrespeitando os pais e até contestando a educação deles próprios. Na época, costumava-se dizer de forma jocosa que “os psicólogos defendiam que todos os problemas dos jovens eram advindos da educação dada a eles pelos pais”, jargão que se utilizava para justificar, inclusive, no inconsciente coletivo dos pais que foram reprimidos, ou tiveram uma “educação antiga”, de que as regras mudaram, que o caminho certo para a felicidade futura dos filhos era deixá-los fazer o que quisessem, pra não se sentirem “traumatizados”.

Criamos, assim, uma geração de mimados, inseguros, contestadores sem fundamentos, que, com o advento da Constituição de 1988, que consagrou a Liberdade de Expressão, tiveram seu comportamento legitimado por nada menos que nossa Carta Magna. Um absurdo!

Foi assim que, ao surgir um governo de direita (entre os anos de 2019/2022), governo este que fez uso de palavrões, xingamentos e ainda propôs o politicamente incorreto, ocorreu uma explosão que subverteu preceitos constitucionais, levando ao desrespeito por parte dos jovens da geração nascida a partir dos anos 80/90, com relação às pessoas mais velhas.

E é com esse pensamento, com essa reflexão político-social que engloba todo um histórico de desrespeito às instituições, aos pais, aos que pensam diferente, que a direita canalizou essa força histórica de educação não opressiva para a novidade explosiva: isto é, culpar sempre a esquerda, desrespeitar as instituições, xingar autoridades e até ameaçar membros do Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, último baluarte da defesa do Estado Democrático de Direito.

Nessa “balbúrdia” generalizada que se instalou no país, foi necessária então uma investigação por parte do STF sobre as “fake News” (Notícias mentirosas), uma vez que todos sabemos que o STF é composto por pessoas de notável saber jurídico, defensores da Constituição, juristas renomados que se dedicam ao labor da manutenção do devido processo legal e que jamais poderiam ser ameaçados, ultrajados, desrespeitados, num verdadeiro atentado sem precedentes à democracia do nosso país.

Portanto, segundo o advogado Fernando Rizzolo, quando alguém grita na frente da casa de um Ministro ou de uma autoridade, (como se dizia antigamente), “a culpa é dos psicólogos, pois não podemos contrariar as crianças”. Com todo respeito aos psicólogos e sublinhando aqui que não concordamos com essa afirmação leviana que se fazia outrora, não apenas no Brasil, pois talvez seja ela mesma o motivo de o País precisar, hoje, se sentar no divã do psicólogo, e iniciar um processo de “livre associação”, obviamente para dizer “não” a tal associação criminosa, que ficou tão em moda nesse nosso conturbado país. Oxalá nem os governantes atuais, nem as autoridades brasileiras, permitam o retorno desse período ‘tenebroso’ pelo qual passamos. Oxalá nossas crianças, mesmo com o advento da Internet, consigam ter momentos especiais e tranquilos para se sentarem nos bancos escolares apenas para aprender. Nada de retorno ao passado recente, quando o negacionismo cresceu vigoroso, espalhou-se país afora, mas que ainda está encalacrado na mente de muitos brasileiros que ainda não se deram conta do mal que isso fez e continua fazendo ao Brasil.

                     “Viva a Democracia”!

 

 

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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