COMITIVA DE BOLSONARO LEVAVA 39 QUILOS DE COCAÍNA PARA O JAPÃO

O sargento da FAB integrava uma comitiva de 21 militares que partiu de Brasílias com destino a Tóquio, no Japão, e fez escala no aeroporto de Sevilha, no sul da Espanha.

O militar da aeronáutica detido no aeroporto de Sevilha na terça-feira (25) carregava 39 quilos de cocaína em avião da FAB usado em comitiva do presidente Jair Bolsonaro em viagem ao Japão. O segundo-sargento da Aeronáutica, Manoel Silva Rodrigues, de 38 anos, preso em flagrante pela polícia espanhola.

Segundo a rede RTVE, a guarda civil deteve o militar após verificar que ele carregava 39 quilos de cocaína distribuídos em 37 tabletes em sua bagagem. O destino final da comitiva, que fez escala na Espanha, era o Japão, onde Bolsonaro participa da cúpula do G-20 pela primeira vez.

O avião do presidente também faria escala em Sevilla e após a divulgação deste fato a rota foi alterada para Lisboa. Enquanto isso acontecia, o ministro Sérgio Moro divulgava sua agenda afirmando estar nos EUA discutindo no Departamento de Estado Americano (DEA) como diminuir o tráfico de drogas no Brasil.

REPERCUSSÃO: A edição global do jornal El País descreveu o momento da apreensão e ainda citou o fato de o militar sequer ter se preocupado em disfarçar a droga – que estava dividida em 37 tabletes – em uma das duas malas que carregava. 

Este ano, Rodrigues estava entre os militares que seguiram Bolsonaro em viagem de Brasília a São Paulo para a realização de exames médicos. Em 24 de maio deste ano, o militar fez bate-volta de Brasília a Recife, acompanhando o presidente, que passou todo o dia em Pernambuco.

NA CONTRA MÃO:

O britânico The Guardian preferiu usar o escândalo da prisão do militar para relembrar a medida promulgada por Bolsonaro no início de junho que pretende endurecer as penas para os traficantes e obrigar usuários a se reabilitarem em centros privados ou religiosos.

“As novas regras elevam a sentença mínima de prisão para traficantes que lideram organizações criminosas de cinco a oito anos. Além disso, reforçam o papel das comunidades terapêuticas. Especialistas argumentam que a legislação move o Brasil na direção oposta de muitos países que tentam abordar o vício como um problema de saúde”, aponta a reportagem do periódico.

O jornal ainda reitera o fato de que, antes do governo de extrema direita chegar ao poder, os usuários de drogas no país tinham que concordar com a internação hospitalar, a exemplo do que ocorre nos países mais desenvolvidos do mundo.

Fontes da Guarda Civil informaram à BBC News Brasil que o militar ficou detido na Guarda Civil de Sevilha antes de passar à disposição judicial na manhã desta quarta-feira. Pouco depois, um juiz de primeira instância de Sevilha determinou a prisão preventiva (sem prazo para terminar) do militar brasileiro, sem direito a fiança. Ele foi enviado a uma penitenciária na cidade andaluz.

Caso anterior

Não é a primeira vez que um membro da FAB é acusado de usar a condição de militar para o tráfico de drogas na Espanha, segundo o jornal espanhol El País.

Em abril, o Superior Tribunal Militar (STM) brasileiro determinou a expulsão de um tenente-coronel que transportava 33 quilos de cocaína em um avião da FAB, um Hércules C-130, durante uma escala em Palmas de Gran Canaria.

Outros dois militares julgados no mesmo caso já haviam sido expulsos da corporação.

O crime ocorreu em 1999, e o comandante foi condenado a 16 anos de prisão por pertencer a uma rede de tráfico internacional de cocaína usando aviões da FAB.

O quilo de cocaína no Japão custa em média 250/300 mil dólares, os 39 quilos renderiam aos traficantes cerca de U$11 milhões de dólares.

Redação
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