Crônica com Duca Siliprandi
“Vamos a La Plaia”, remoendo reminiscências e “bom filho a casa torna”. Voltar à Itapema é rever maravilhas, ainda mais para residir. Inserida entre outras beldades – como Balneário Camboriú e Porto Belo – a cidade que hoje me recebe como itapemense de coração é apenas dois anos mais velha do que seu novo habitante. Emancipada em 1962 de uma das praias mais icônicas do litoral sul brasileiro, a badalada Porto Belo, seu cenário exuberante mantêm a fama de um dos endereços mais disputados tanto para a temporada de férias, no balneário, como lugar de investidores nacionais e internacionais que têm olhos de águia. Foi pela aguçada visão comercial do patriarca de nossa família, o saudoso Edi Siliprandi, que por lá fincamos raízes profundas. Em 1976 o engenheiro civil Dr. Miguel Shuchmann, de Cascavel, nos convidou ao primeiro encontro com aquele colírio para os olhos. Em 1978 já éramos da casa. Além de Cascavel, nossa família acreditou piamente nesse esplendoroso desenvolvimento da hoje ‘cosmopolita’ Itapema. Não havia, à época, sempre pontuo, nenhum prédio com mais de 4 andares. Nem pensar. Hoje praticamente não existe uma única casa térrea sequer na orla. Fui recebido com alegria por velhos conhecidos de décadas idas, 47 anos depois. Resido no mesmo endereço: Rua 139, antiga Canoinhas, a uma quadra da praça central, ali onde se encontra a concha acústica. Na década de 1980 era ali a Peixaria da Dona Odete. Em 1980, mais ou menos, o afamado balneário não contava com muita estrutura comercial. Perto da prefeitura havia a Casa de Carnes, o Mercado Silva, da família do João José, a Padaria Bauer, e na Meia-praia, colado à ponte do Rio Perequê, o Mercado Itajeli, praticamente o maior da praia à época. Não se deve esquecer os Secos e molhados no início do primeiro trevo – para quem vem de Camboriú – o famoso Xerém, onde cansei de comprar Puçás para caçar siris. Hoje, após quase 50 anos, retorno para um dos balneários com o 2º metro quadrado mais caro do Brasil. Outra cria de cascavel, Elias Tenório, jornalista e ex-secretário do Município em mandatos passados, desfruta há mais de 20 anos desta incomparável cidade praiana. Co-fundador da ONG Olho Vivo, organização que combate a corrupção no Brasil, Elias e o também jornalista José Santana comandam o PORTAL DE NOTÍCIAS FOLHA DO ESTADO, de Santa Catarina, onde tenho a honra de colaborar com uma ou outra crônica, e que igualmente vai ao ar na Rádio FM 92.3 em Cascavel-PR. Voltaremos a relembrar endereços icônicos e saudosos desta praia, que me recebe nesta atualidade, tão bem quanto nos áureos tempos, quando, sem celular, éramos “habituês” das famosas e intermináveis filas da CELESC, ao pé do morrinho da Meia-praia, em frente ao Morretes, ou do posto Blumenauense na Avenida Nereu Ramos. Bons tempos!
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Texto: Duka Siliprandi




























