PRÉ-CANDIDATO DO PDT – SUGERE QUE A UNIFICAÇÃO DA OPOSIÇÃO É ESSENCIAL

O advogado Allan Schroeder (na foto com Claudir), um dos pré-candidatos anunciados pelo PDT de Balneário Camboriú para concorrer ao cargo de prefeito, disse que o partido está trabalhando pela unificação das oposições para a escolha de uma chapa única para enfrentar as próximas eleições municipais.

da redação: UMA HISTÓRIA SOBRE PAPAS

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Por José Santana

Na tarde de um domingo de Carnaval, o então papa Bento XVI tuitou: “Somos todos pecadores”. No dia seguinte, os católicos foram surpreendidos com o anúncio oficial de sua renúncia (era o dia 28 de fevereiro de 2013), algo que não acontecia há quase 600 anos – o último papa a renunciar foi Gregório XII, em 1415.

Numa curta mensagem, o alemão Joseph Ratzinger (Bento XVI) afirmou ter “examinado repetidamente “sua consciência e chegado à conclusão de que “suas forças, devido à idade avançada, já não eram idôneas para exercer adequadamente o ministério de São Pedro”. A constatação o levou a renunciar poucos meses antes da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, pois ele não se considerava capaz de enfrentar. Por pouco ele não fez uma hastag: #Topicandoamula.

Joseph Ratzinger (Bento XVI)

A renúncia de Bento XVI não surpreendeu ninguém. Desde sua ascensão, a Igreja Católica tinha voltado a mergulhar em anacrônico dogmatismo. Em tempos de explosão horizontal da informação e domínio absoluto das ferramentas digitais, algumas doutrinas religiosas perecem ante a sociedade contemporânea. Não é uma questão de fé, mas de premente laicismo nas relações com a “Res Publica” (“Coisa Pública”). Fé todos podem (e talvez devem) ter, adeptos a religião ou seita que melhor lhes convir (ou até sem elas). No entanto, essa fé não pode pretender guiar ou nortear as ações de um Estado.

Mergulhados em dogmas e tentando resgatar algum poderio nas nações onde ainda tem grande número de fiéis (como no Brasil e nos países africanos, por exemplo), sob Bento XVI os católicos assistiram o levante de igrejas protestantes e reformistas e o Vaticano tornou-se alvo de sucessivas denúncias de corrupção, entre elas a vultosa acusação de lavagem de dinheiro no Instituto para as Obras de Religião, mais conhecido como Banco do Vaticano. As autoridades italianas responsáveis pela investigação estimam que o esquema tenha movimentado 200 milhões de Euros.

Fartamente criticado, Bento XVI abriu dois flancos de luta: tentou se aproximar da juventude digital (chegando a abrir uma conta no Twitter); e proferiu discursos supostamente diplomáticos com outras religiões e seitas na busca frenética de apoio às orientações de forte conservadorismo de seu pontificado. Paixões e ardores à parte, Joseph Ratzinger falhou. Muito além das denúncias de corrupção, fez vistas grossa a temas de urgente observação na Igreja, como as constantes denúncias de abuso sexual por padres (incluindo até pedofilia), o reconhecimento do sacerdócio feminino, a assunção de direitos humanitários (que vão muito além do conceito de Direitos Humanos) e a responsabilidade da religião nas mazelas do continente africano, especialmente no que tange à Saúde. Provavelmente, sua renúncia estivesse situada no reconhecimento desse malogro na condução da Igreja Católica rumo ao século 21.

Por outro lado, a renúncia de Bento XVI pode revelar uma nova “estratégia comercial”, digamos assim, da Igreja Católica. Tão logo anunciada a abdicação papal, especialistas do Vaticano trataram de revelar uma lista com os dez cardeais favoritos à sucessão. Dentre eles, destaque para dois religiosos brasileiros: Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo; e João Braz de Aviz, cardeal-chefe do Departamento para Congregações Religiosas e ferrenho defensor da aproximação com a América Latina. Analistas internacionais, ouvidos pela imprensa logo depois da renúncia, apontavam Dom Odilo Scherer como franco-favorito ao “Trono de Pedro”.

É fato: o Brasil despontava em importância no cenário mundial em crise; nosso país, no ano de 2013 (só para lembrar), foi sede da Jornada Mundial da Juventude; no ano seguinte os olhos do mundo estiveram voltados para a Copa do Mundo em solo brasileiro (de triste lembrança para nós); e a mira internacional seria mantida até 2016, quando o Rio de Janeiro sediou, pela primeira vez na história, na América Latina, os Jogos Olímpicos. Num momento de tal foco planetário, a Igreja Católica pode realizar um movimento cirúrgico: consagrar, pela primeira vez na História, um brasileiro como seu Sumo Pontífice. Vinha daí o favoritismo de Dom Odilo Scherer.

Como as redes sociais não perdoam quase nada, a vacância do “cargo” de líder supremo dos católicos havia virado motivo de piada e os internautas criaram a hastag:“#Inacius I”, referência burlesca à candidatura ao papado do ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva (atual presidente do Brasil) que àquela época havia encerrado (havia três anos) seu mandato presidencial de oito anos. Já imaginaram o anúncio oficial da época? “Habemus Papam! Sua Santidade, Inacius Primeiro e Único!”

Mas ainda não foi daquela vez que o Brasil teria um “Papa” pra chamar de seu. Quem venceu foi o argentino (nosso vizinho) Jorge Mário Bergoglio. O “Para Francisco”. Aliás, muito bem recebido e muito querido por todos nós, ou… quase todos…! Bertoglio continua firme, mas hoje (houvesse uma nova eleição para papa) teríamos dois nomes mais cotados para substitruí-lo: o primeiro é o cardeal filipino Luís Antônio Tagle, de 62 anos, arcebispo de Manila – Filipinas. Ele seria o primeiro papa asiático e daria continuidade às reformas iniciadas por Francisco. O outro é o cardeal ganês, Peter Turkson – que seria o primeiro papa negro e de origem africana. E assim vamos girando, girando, girando, com o mundo dando suas voltas! Até quando? Não tem como afirmar!

Da redação

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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