O erro de confiar tarefas a quem não quer trabalhar
Preguiça institucionalizada e ausência de responsabilidade pessoal vêm comprometendo famílias, empresas e governos. Trata-se de um sintoma silencioso – mas devastador – que transforma omissão em rotina e paralisa até os ambientes mais promissores.
Confiar uma tarefa a quem não tem disposição para cumpri-la é um dos erros mais caros que se pode cometer. Custa tempo, frustra expectativas, corrói a confiança e desmotiva quem carrega o peso sozinho. Seja em casa, no serviço público ou na política, a preguiça virou um traço tolerado – às vezes até defendido – em nome do “respeito ao tempo de cada um”.
A BÍBLIA, SEMPRE ATUAL, ADVERTE:
“Como o vinagre para os dentes e a fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o enviam.” – (Provérbios 10:26).
Enquanto muitos se esforçam para entregar, outros se especializam em escapar – com desculpas técnicas, argumentos emocionais ou simplesmente inércia maquiada de equilíbrio. Mas o efeito é o mesmo: omissão que prejudica, desrespeita e atrasa.
QUANDO A INÉRCIA CONTAMINA O SERVIÇO PÚBLICO
Em uma secretaria municipal de pequeno porte, um servidor é responsável por entregar relatórios mensais. Simples? Sim. Mas os erros se repetem – e as justificativas também: “o sistema travou”, “acumulou demais”, “não tive apoio”.
Enquanto isso, outro servidor, mais comprometido, assume as tarefas para não deixar o serviço parar. A equipe se desgasta, o ambiente desanima, e a gestão perde credibilidade.
EM CASA, A NEGLIGÊNCIA QUE DÓI
No lar, a cena muda, mas o enredo é o mesmo. Um filho adulto, saudável, é chamado a colaborar. “Depois eu faço”, ele diz. Os dias passam, o lixo transborda, a louça se acumula, e a mãe, esgotada, resolve fazer sozinha.
Essa preguiça não é só omissão prática: é desrespeito afetivo. Enfraquece vínculos, gera ressentimento e perpetua a dependência emocional.
NA POLÍTICA, O SILÊNCIO QUE CUSTA CARO
O vereador promissor, eleito com discurso forte, desaparece das sessões. Ele copia projetos alheios, evita debates, culpa a “burocracia”. Enquanto isso, a cidade perde representatividade, a população perde voz e o dinheiro público escorre pelo ralo.
SE FOSSE HOJE, MEUS PAIS ESTARIAM PRESOS
O jornalista José Santana é o sexto de dez irmãos. Cresceu na roça. Se fosse hoje, talvez seus pais fossem acusados de “rigidez excessiva”. Mas o que ele e os irmãos viveram foi uma disciplina mais rígida, do tipo que os mais antigos se utilizavam para educar os filhos. E dessa disciplina nasceu a dignidade que marca sua jornada até hoje.
José conta que seus pais acordavam às 4h. E às 5h, o café já estava na mesa. Ele e os irmãos, ainda crianças, logo depois da primeira refeição matinal já estavam no paiol, no curral ou no tanque. Às 7h, andavam 5 km até a escola. Ao meio-dia, almoçavam e iam direto para a roça: carpir café, arrancar feijão, colher algodão.
Nos domingos, a exceção: era missa pela manhã e, à tarde, futebol com bola de pano. A vida era dura, sim, mas justa – conta. Ninguém descansava enquanto o outro suava.
Mas de tudo isso, ele guarda uma lembrança: certo dia sua irmã precisava de algo no distrito, que era longe, a 10 km dali. José tinha 9 anos, não teve dúvidas. Montou seu cavalo, em pelo, sem sela, e foi. Porque naquela época, ser útil era parte da educação. A prontidão era o padrão que os pais adotavam antigamente.
Hoje, diz, nossos jovens confundem descanso com fuga, liberdade com displicência, direitos com ausência de deveres. Hoje, os pais têm medo de corrigir, as escolas (a maioria) não ensinam limites básicos, os chefes não sabem exigir, com medo de parecerem duros demais.
Por fim, José relata que não conta sua história para glorificar um sofrimento antigo – mas sim para lembrar que o trabalho molda o caráter para a vida toda. Ao contrário, o ócio prolongado, deixa a alma mole.
A BÍBLIA CONTINUA ATUAL
“O preguiçoso deseja e nada consegue, mas os desejos do diligente são amplamente satisfeitos.” (Provérbios 13:4).
“Quem é negligente em seu trabalho já é irmão do desperdiçador.” (Provérbios 18:9).
A preguiça corrói silenciosamente. Seja em casa, no gabinete ou na empresa, ela custa, e muito.
Conclusão: responsabilidade é valor, não favor
Responsabilidade não se negocia, se aprende, se cobra e se vive. Esforço não é opressão: é maturidade. Comodismo é que é o verdadeiro atraso.
“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos e sê sábio.” (Provérbios 6:6).
Que este editorial seja um espelho: pois mais do que cobrar dos outros, precisamos ensinar – com firmeza e exemplo – que responsabilidade não é fardo, é fundamento. E preguiça, quando tolerada, cobra caro – demais.
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Da Redação

















