No final o ex-coach e candidato a prefeito de São Paulo foi expulso do debate pelo mediador
Momentos que antecederam ao debate que terminou com um soco de seu assessor na cara do marqueteiro de Ricardo Nunes do MDB, Duda Lima, o candidato à prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB) disse nos bastidores que já tinha provocado 16 “ondas” nesta campanha, mas que ainda faria mais seis até o dia da eleição. Onda é como o ex-coach chama os episódios de impacto que ele provoca pra monopolizar as atenções na corrida eleitoral. A expulsão dele do debate do Grupo Flow, foi um desses momentos.
Quem acompanhou o debate pode ver que desde a chegada Marçal começou a provocar Nunes dizendo que iria prendê-lo por envolvimento no caso da máfia das creches com a mesma frase que repetiu nas considerações finais do debate, mesmo sendo advertido, até conseguir ser expulso. Ele disse: “A Polícia Federal vai prender o Ricardo Nunes e essa é uma promessa minha de campanha”.
E foi nessa hora que o assessor de Marçal, Nahuel Medina, que se encontrava a poucos metros de distância, dentro do estúdio, deu um soco em Duda Lima depois de afirmar ter sido agredido antes por ele.
A confusão que se seguiu foi generalizada, impedindo até mesmo o encerramento do evento. Enquanto o “assessor” Medina era detido pela polícia e as equipes de Nunes e Marçal iam para a delegacia, outros assessores do ex-coach tentavam invadir o estúdio onde se fazia a live pós-debate, com comentaristas e candidatos. Relatos das pessoas que estavam no local disseram que foram necessários cinco seguranças da equipe do Flow para impedir que os raivosos homens de Marçal entrassem no local.
Medina havia passado o debate todo filmando com o celular e produzindo cortes, como o que mostrava o sorteio de perguntas pela jornalista Helen Braun, o que foi falsamente classificado como fraude. Tudo porque Braun sorteou Guilherme Boulos (PSOL) para comentar a própria resposta e por isso foi obrigada a sortear a outra candidata que ainda restava na urna, e que só podia ser Tabata Amaral (PSD).
A lógica de Marçal está clara. Ele já afirmou reiteradas vezes que a campanha eleitoral não é um momento de propostas, e demonstrou que cria narrativas para manipular a compreensão do eleitor. Foi o caso de um atentado que ele tentou forjar em um evento de campanha – uma “onda” que flopou tanto que não chegou nem a ser mencionado em boletim de ocorrência.
Também foi o que ocorreu depois da ‘cadeirada’ que sofreu de Datena, depois de haver provocado o candidato do PSDB, espalhando vídeos pelas redes sociais nos quais ele aparece tomando oxigênio em uma ambulância, numa cena que ele próprio Marçal classificou como “patética” depois que o fato teve péssima repercussão.
A chegada de última hora no ato da Avenida Paulista, no dia 7 de Setembro, programado pelo pastor Silas Malafaia, e não conseguindo subir no palanque, foi outro movimento planejado para as redes sociais, mais uma “onda” destinada a combater a desconfiança, quando desafiou o próprio Bolsonaro que realizava um ato contra o ministro Alexandre de Moraes. Depois disso passou a ser atacado por Bolsonaro e Malafaia, mas nem assim conseguiu chamar a atenção como previa.
Já a provocação a Guilherme Boulos com a carteira de trabalho teve um efeito desejado. Boulos reagiu com um tabefe, e a popularidade de Marçal cresceu na direita. O curioso é que mesmo vendo que essas cenas só têm aumentado sua rejeição nas pesquisas de opinião, o candidato do PRTB continua apostando no conflito e na confusão para se manter em evidência.
O resultado foi descrito em um desabafo da candidata Tabata Amaral logo depois. Apesar de o debate ter sido concentrado em propostas e perguntas dos eleitores, o que ficará para o público é a confusão provocada pelo time de Marçal. Assim o ex-coach consegue que só se fale dele. Mas, a julgar pelo tom, Marçal certamente acreditava que isso iria lhe render votos. Na sabatina de ontem, ele contestou até mesmo seus índices de crescimento em sua rejeição, apontados pelas pesquisas.
Não é preciso ir muito longe para ver que nem sempre a confusão e a porradaria se convertem em votos. O próprio Jair Bolsonaro, de quem Marçal tenta tomar uma fatia do eleitorado, teve a candidatura seriamente prejudicada por dois episódios do gênero. Uma semana antes do segundo turno, o ex-deputado federal Roberto Jefferson – na época no extinto PTB – lançou uma granada e atirou em policiais federais que tinha ido à sua casa executar um mandado de prisão contra ele. Dias depois, foi a vez da deputada Carla Zambelli (PL-SP) perseguir um jornalista negro com uma arma pelas ruas de São Paulo.
As imagens de violência claramente associadas ao bolsonarismo assustaram o eleitor em uma disputa apertada com Lula. Segundo o próprio ex-presidente admitiu diversas vezes, isso pode ter custado sua reeleição. Marçal, tão hábil no domínio das narrativas nas redes sociais, talvez ainda tenha muito que aprender sobre política e eleição. Mas, até que chegue esse dia, muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte.
È isso o que ocorre com aqueles que pensam que são sem nunca ter sido!
E Game Over!













