A tragédia de uma consciência empedrada

Há momentos em que a crítica sutil já não dá conta do absurdo. E é justamente nesse ponto que a ironia se torna ferramenta de sanidade. Comparar o nível de consciência dosextremistas ao de uma azeitona pode parecer exagero – mas talvez seja até um elogio. Afinal, a azeitona, por menor que seja, vem de uma árvore que produz azeite. O extremismo, por outro lado, não produz nada além de gritos, ódio, ameaças e ignorância.
Vivemos uma era em que a desinformação, o fanatismo e a incapacidade de ouvir o outro foram elevados à condição de virtude entre certos grupos. O radicalismo, seja ele de esquerda, de direita, religioso ou até mesmo supostamente “científico”, virou uma seita onde pensar virou pecado, e repetir virou fé.
O problema é que essa fé cega não apenas empobrece o debate público – ela destrói. Destrói pontes, famílias, amizades, instituições. E tudo isso em nome de uma verdade absoluta que, curiosamente, muda conforme o algoritmo ou o influenciador de plantão.
Chamar isso de “nível de consciência abaixo de 50” não é um ataque gratuito. É uma constatação. Um cérebro capturado por ideias extremistas não pensa: ele repete, ataca, destrói. Um azeite, ao menos, ainda serve para lubrificar engrenagens. Já o extremismo emperra tudo o que toca: o diálogo, a empatia, a política, a convivência civilizada.
E não se trata de falta de instrução. Há extremistas com diplomas, com pós-graduação e muitos livros na estante. O que lhes falta não é informação – é disposição para escutar, refletir e, principalmente, admitir que ninguém é dono da verdade.
Mesmo diante do fanatismo mais violento, a história provou que a empatia pode ser mais poderosa que qualquer arma. Mahatma Gandhi, com sua filosofia da não-violência, enfrentou um império com nada além de palavras, silêncio e compaixão. Entre extremos armados e ódios coloniais, ele escolheu o caminho do diálogo – e venceu. Sua luta não exigiu gritos nem muros, mas coragem para ouvir e firmeza para não odiar. Talvez seja essa a maior lição: quando as ideias se tornam trincheiras, apenas a empatia pode reconstruir pontes. E, às vezes, é no gesto mais calmo que mora a revolução mais profunda.
Este editorial não é um convite à moderação passiva, à omissão ou à neutralidade conveniente. É um chamado à racionalidade, à coragem de pensar por si mesmo, de discordar com respeito, de construir em vez de apenas destruir.
Porque, no fim das contas, não é preciso ser uma oliveira para contribuir com algo útil. Mas é preciso, no mínimo, não ser um lunático emperrado em ideias que só servem para azedar a sociedade.
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Da redação






























