A informação é essencial para que o trem não venha descarrilar pela falta de manutenção
Em tempos de polarização e desinformação, a figura do jornalista imparcial e o compromisso dos veículos de comunicação com os fatos se tornam indispensáveis para o fortalecimento da gestão pública. Mais do que noticiar, a imprensa tem o poder de influenciar os rumos das políticas públicas ao oferecer à sociedade uma visão clara, crítica e bem fundamentada das ações governamentais.
O prefeito eleito de Camboriú, Leonel Pavan, destacou a importância da imprensa ao afirmar que “os profissionais e os veículos de imprensa são imprescindíveis para a gestão pública; eles são os olhos que fiscalizam e trazem informações e críticas que podem influenciar e colaborar para minimizar as falhas de gestão”. Esta declaração reforça a ideia de que uma imprensa livre e atuante é vital para a transparência e a eficácia das administrações públicas.
No entanto, o impacto dessa relação é ainda mais evidente quando consideramos as consequências da omissão de autoridades públicas diante de alertas e denúncias veiculados pela imprensa. Exemplos recentes no Tocantins e no Maranhão revelam o desdém de gestores em relação a notícias que apontavam a falta de manutenção em estruturas essenciais, como rodovias e pontes. Essa omissão, além de um desrespeito à população, resultou em tragédias que poderiam ter sido evitadas, causando dezenas de mortes e prejuízos econômicos superiores a R$ 150 milhões.
A atuação jornalística, no entanto, deve ser regida por princípios éticos e legais, como a impessoalidade, o respeito às normas técnicas da profissão e o compromisso com o exercício legal da atividade. O jornalista, ao abordar questões relacionadas à gestão pública, deve buscar a verdade com rigor técnico, sem se deixar influenciar por interesses pessoais, políticos ou econômicos. A imparcialidade e a clareza na apresentação dos fatos garantem não apenas a credibilidade da imprensa, mas também a confiança da população nos processos democráticos.
Governos e gestores capacitados, por outro lado, têm por objetivo criar mecanismos internos para lidar com situações como essas, e uma prática de destaque é a formação de comitês internos de monitoramento da imprensa. Esses comitês têm a missão de acompanhar, de forma contínua, a cobertura jornalística e responder, com respeito e responsabilidade, a denúncias, reclamações e notícias que apontem omissões, suspeitas de irresponsabilidades ou irregularidades.
ESSES COMITÊS, QUANDO BEM ESTRUTURADOS, PROPORCIONAM BENEFÍCIOS SIGNIFICATIVOS
A atuação da imprensa e sua interação com a gestão pública exigem observância às normas técnicas que norteiam tanto o jornalismo quanto a administração. Do lado da imprensa, a Lei nº 13.188/2015, que regula o direito de resposta, é um exemplo de como garantir equilíbrio e justiça na relação entre jornalistas e gestores. Já no campo administrativo, a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) reforça o dever da transparência, sendo a imprensa uma das principais ferramentas para assegurar que esse direito seja efetivamente cumprido.
No entanto, é essencial que os comitês sejam conduzidos por profissionais capacitados, com conhecimento técnico em comunicação, legislação e gestão pública. Além disso, sua atuação deve ser pautada pela verdade e pela disposição de reconhecer erros, adotando medidas corretivas.
O caso do Tocantins e do Maranhão ilustra bem os riscos da omissão. A ausência de uma resposta adequada aos alertas da imprensa não só intensificou os danos como também expôs o despreparo de uma gestão incapaz de prevenir tragédias e proteger seus cidadãos. É inadmissível que, em pleno século XXI, vidas sejam perdidas e recursos públicos sejam desperdiçados por falta de atenção às críticas e à fiscalização midiática.
Por outro lado, a imparcialidade jornalística também se torna uma barreira contra a desinformação. Em um cenário onde fake news ameaçam a credibilidade de instituições públicas, veículos comprometidos com os fatos assumem a responsabilidade de esclarecer a população e proteger a gestão pública de ataques baseados em inverdades. Assim, promovem a confiança pública e evitam que ruídos desnecessários comprometam o andamento de projetos importantes.
Essa relação, quando bem conduzida, gera benefícios inegáveis: maior engajamento da sociedade, aprimoramento das políticas públicas e fortalecimento da governança. A impessoalidade e o rigor técnico no trabalho jornalístico devem ser espelhados pela gestão pública, que, ao respeitar e responder às denúncias da imprensa reforça seu compromisso com a transparência e a eficiência.
Por fim, o jornalismo imparcial tem o poder de transformar a realidade pública ao estabelecer um ambiente de vigilância crítica e educativa. O desrespeito à imprensa, como evidenciado pelos casos citados, não apenas enfraquece as bases da democracia, mas também compromete o direito à informação e à segurança da população. Cabe aos gestores públicos enxergar na imprensa não um inimigo, mas um parceiro indispensável na construção de uma sociedade mais justa, segura e responsável.
Da Redação
Folha do Estado SC


























