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EDITORIAL: O BRASIL LÁ FORA E O INCÊNDIO AQUI DENTRO

A diplomacia de Lula em meio a crise

Enquanto o presidente Lula cumpre agenda internacional na China, Vietnã e Rússia, o Brasil arde em crises internas. A escolha do roteiro não é apenas simbólica – é politicamente sensível. E o momento não poderia ser mais delicado.

O país enfrenta o maior escândalo recente de corrupção no INSS, com fraudes bilionárias envolvendo servidores e intermediários. A taxa Selic segue como a mais alta do mundo real, freando investimentos e asfixiando a economia produtiva. No Congresso, a popularidade de Lula despenca, ao passo que cresce o desgaste da relação entre os poderes, agravado pelo caso Alexandre Ramagem, que expôs os limites e tensões entre o STF e o Legislativo.

Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é: como dissociar uma agenda internacional ambiciosa – e arriscada – de uma crise interna crescente?

A visita à China se justifica pela lógica comercial. Já o Vietnã representa novas possibilidades no campo energético e tecnológico. Mas a escala na Rússia, em plena guerra com a Ucrânia, não apenas provoca reações no Ocidente, como lança dúvidas sobre o real alinhamento do Brasil no cenário global.

É compreensível que o governo queira reforçar sua posição como voz do Sul Global. Lula aposta em uma política externa independente, que rejeita o alinhamento automático aos EUA ou à União Europeia. Contudo, em política, o timing é tudo.

Ao priorizar a exposição internacional, o presidente corre o risco de parecer ausente do país – ou, pior, indiferente aos seus problemas mais urgentes. Há um abismo entre a retórica de liderança global e a realidade de um Brasil ainda mergulhado em escândalos, juros altos e instabilidade institucional.

A diplomacia não pode ser uma fuga. Dialogar com todos é legítimo. Mas isso não pode servir de cortina para o que se passa dentro de casa. A reconstrução da confiança externa passa, inevitavelmente, pela reconstrução interna. E essa, hoje, parece estar sendo negligenciada.

Da redação

José Santana é jornalista, bacharel em Gestão Pública e pós-graduando em Direito Constitucional e em Direito Administrativo

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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