Procons estão fiscalizando preços da Cesta Básica em municípios da região
A recente divulgação feita pelo Procon de Itajaí, apontando uma queda de 1,13% no valor da cesta básica no mês de julho, merece atenção e reflexão. A redução, que levou o preço médio de R$ 378,16 para R$ 373,89, embora modesta, representa um sinal de alívio temporário para o orçamento das famílias – especialmente num cenário em que o custo de vida pressiona os lares de renda média e baixa.
Mas, esta notícia, ainda que positiva precisa ser observada com mais cautela. Por trás da leve retração no valor da cesta básica, revelam-se duas questões centrais: a disparidade entre os preços praticados pelos diferentes estabelecimentos e a importância da participação ativa do consumidor na fiscalização do mercado. Em junho, por exemplo, a diferença entre os produtos mais baratos e os mais caros chegou a 72%, variando de R$ 286,31 até R$ 494,08. Essa variação expressiva indica que a economia não depende apenas da redução dos preços, mas também da informação e da atitude do consumidor.
Em comparação com anos anteriores, é importante destacar que a cesta básica em Itajaí apresenta uma tendência geral de alta nos últimos cinco anos, acompanhando a inflação nacional e os custos internacionais de insumos agrícolas e industriais. Essa oscilação atual, portanto, pode ser vista como uma leve pausa em um ciclo inflacionário mais longo, o que reforça a necessidade de acompanhamento constante dos preços.
É nesse ponto que entra o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) como instrumento de cidadania. O artigo 6º, inciso III assegura como direito básico do consumidor “a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço”. Ou seja, é dever do fornecedor informar corretamente, e é direito do cidadão comparar, avaliar e escolher.
Além disso, o artigo 39, inciso X proíbe o aumento de preços sem justa causa. Se o arroz ou o café estiverem com valores desproporcionais ao restante do mercado, cabe denúncia. A vigilância do consumidor complementa o trabalho do Procon, que é técnico, mas depende da colaboração da sociedade para cumprir sua função fiscalizadora.
Outro ponto importante é a orientação sobre comparar preços por unidade de medida (quilo, litro, pacote), verificar datas de validade e priorizar compras planejadas. Essas práticas são simples, mas poderosas. Garantem que o consumidor não seja enganado por ofertas ilusórias ou embalagens maiores com preços menos vantajosos proporcionalmente.
O artigo 4º do CDC vai ainda mais longe, ao estabelecer como princípio a necessidade de equilíbrio nas relações de consumo, promovendo a harmonia e a boa-fé entre as partes. Em tempos de instabilidade econômica, a transparência e a concorrência justa tornam-se mecanismos indispensáveis de regulação e justiça social.
A queda no preço da cesta básica em Itajaí é, sem dúvida, uma boa notícia. Mas ela não pode nos fazer esquecer que ainda vivemos um ambiente de inflação estrutural e instabilidade de preços. O alimento continua sendo um bem essencial – e muitas vezes inacessível – para milhares de brasileiros. Por isso, a consciência do consumidor, aliada à fiscalização ativa dos órgãos públicos, é fundamental para garantir que o direito à alimentação adequada, previsto na Constituição, não seja apenas uma promessa no papel.
Mais do que comemorar, é hora de agir: exigindo etiquetas claras, denunciando abusos e compartilhando boas práticas. Além disso, seria essencial que órgãos públicos, como o Procon de Itajaí, implementassem uma ferramenta pública de acompanhamento mensal dos preços da cesta básica – um painel digital acessível e atualizado, que permita à população comparar preços em tempo real e tomar decisões de consumo mais conscientes. Essa iniciativa também serviria como instrumento de transparência e pressão contra abusos.
O consumidor bem informado é o maior defensor do próprio bolso – e do equilíbrio econômico que o país tanto precisa.
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SOBRE O AUTOR
José Santana é jornalista (MTB 3982/SC), editor do portal Folha do Estado SC – com 25 anos de atuação no jornalismo investigativo, análise institucional e cobertura de políticas públicas. Especialista em Gestão Pública, possui diversas certificações. Graduando em Direito Constitucional e Administrativo pela Universidade Uninter, também coordena projetos de inteligência editorial, redes de podcast e conteúdos multimídia com foco em educação política e responsabilidade institucional.

















