GOVERNO DE BENJAMIN NETANYAHU PODE ESTAR MENTINDO SOBRE NEGATIVA DE “PAUSA HUMANITÁRIA”

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EDITORIAL

Elias Costa Tenório

Após o ataque terrorista praticado pelo grupo Hamas, no dia 07 de outubro, o governo do Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou uma retaliação por parte das Forças de Defesa de Israel, baseado no direito da legítima defesa.

Quanto ao direito de Israel à legítima defesa de seu território e de seu povo é inquestionável.

No entanto, na seqüência das ações até então consideradas legítimas por parte do governo israelense, iniciou-se uma grande “onda” de ataques contra a Faixa de Gaza, matando milhares de civis, sendo, segundo fontes internacionais, pelo menos entre 40% e 50% de crianças.

Com isso, a comunidade internacional iniciou apelos para o governo de Benjamin Netanyahu para que houvesse um cessar-fogo humanitário para, principalmente, retirar os feridos e fornecer alimento, água e medicamentos, como parte do Direito Universal à Vida, bem como, em respeito às convenções e tratados internacionais de guerra, ou seja, a tão falada “pausa humanitária”.

A “pausa humanitária” é, portanto, quando se define o período em que a ajuda humanitária chega para o local atingido e este pode ser precedido de um “corredor humanitário”, onde é feito um mapa do caminho que os caminhões de ajuda devem passar para levar a ajuda à população.

O governo de Netanyahu concordou, após muita resistência e pressões internacionais, à uma “pausa humanitária” de apenas 4 horas por dia para entrada de auxílio humanitário, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) e dezenas de países mundo afora solicitam um cessar-fogo de pelo menos dois ou três dias, para poder atender de forma adequada à retirada de feridos, além de poder fornecer água e alimentos à população civil da Faixa de Gaza que se encontra sem o mínimo desses insumos diários necessários à subsistência.

Governo de Benjamin Netanyahu mente? 

O atual governo israelense insiste em manter apenas 4 horas ou pouco mais diariamente, enquanto tanto a ONU como outros países tem alertado que este tempo de apenas 4 horas é insuficiente para atender a população adequadamente.

O governo israelense atual afirma que, caso façam um cessar-fogo ou “pausa humanitária” de dois ou três dias como solicitam a ONU e vários governos, o grupo terrorista Hamas se aproveitaria dessa pausa para se rearmar, e receber novos suprimentos para continuar os ataques contra Israel, além de se fortalecer para o enfrentamento dentro da Faixa de Gaza.

Mas, ao mesmo tempo em que faz essas alegações, o governo de Netanyahu se esquece de que recentemente afirmou em todas as redes de imprensa internacional de que as Forças de Defesa de Israel (FDI) teriam “dividido” a Faixa de Gaza em duas (norte e sul) e que o grupo terrorista Hamas estaria cercado, pois a Marinha Israelense estaria controlando o mar próximo à costa de Gaza, impedindo a possibilidade tanto de fuga como de entrada de armas e munições para o grupo terrorista.

Ora, se a Faixa de Gaza tem cerca de 365 km², é um território relativamente pequeno e está cercado pelas forças de Israel por terra, mar e ar, a pergunta que deve ser feita a Netanyahu é: Como seu governo alega para a comunidade internacional que uma “pausa humanitária de dois ou três dias servirá para que o grupo terrorista Hamas receba armas, munições e mantimentos? Não estão cercados?

Ou o governo Netanyahu mente sobre o cerco ou mente sobre os motivos de não permitir uma “pausa humanitária” mais longa por estar com desejo meramente de vingança, não contra o Hamas somente, haja vista a quantidade de civis mortos até o presente momento, que supera a Guerra da Ucrânia!

Segundo o canal “Hoje no mundo militar”, e que foi ao ar no dia de ontem 12/11, sob o título “Não haverá cessar-fogo em Gaza” – Por que Israel insiste em não fazer uma pausa nos combates? É mencionado pelo canal que o Hamas está cercado e possivelmente diminuindo em muita sua capacidade de atacar Israel. Entre outras coisas, o canal menciona que, se antes o Hamas disparava em média 1.000 foguetes contra Israel, agora disparam em torno de 100, e isso demonstraria que o “cerco” que as FDI fizeram estaria dando certo.

Ora, se o Hamas está cercado e o governo Netanyahu alega que uma “pausa humanitária” mais longa favoreceria o recebimento de reforços em armas e munições pelo Hamas, talvez imagine Netanyahu que pode descer sobre a Faixa de Gaza uma espaçonave extraterrestre levando armas e munições para o grupo terrorista!

Como o Hamas não possui navios e nem aviões, e, estando cercado como alega o governo de Netanyahu, esta é a única hipótese plausível para se alegar que o Hamas irá se rearmar e se reequipar se a “pausa humanitária” for maior do que a atual. E olha que Vladimir Putin já foi enquadrado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e Netanyahu o TPI faz de conta que não vê.

Hipocrisia do TPI e da Comunidade Internacional

Um fato não se pode negar, que o grupo terrorista Hamas fez um atentado contra a vida de civis inocentes em Israel e o governo israelense tem todo o direito de tomar as medidas necessárias contra esse grupo que tirou a vida de muitos civis inocentes.

No entanto, o “direito de defesa” de Israel deve sim ter a proporcionalidade, o comedimento, os cuidados para não se matar civis inocentes como vêm acontecendo, pois, a cada ataque onde morrem muitos civis, o governo israelense simplesmente alega que isso aconteceu porque o Hamas se esconde atrás da população civil.

Muito bem, se isso acontece e o governo israelense sabe, deveria fazer ataques mais pontuais e usar melhor a força terrestre após a inteligência definir de forma clara os alvos, e não bombardear de forma indiscriminada como vem ocorrendo.

Imagina se a Rússia ataca área matando muitos civis alegando que haviam soldados escondidos por lá. Certamente já haveria uma “caçada” internacional contra Putin.

A hipocrisia está no comparativo com a Guerra da Ucrânia. Lá, Vladimir Putin já teve ordem internacional de prisão por “crimes de guerra”, e olha que a Rússia não matou em bombardeios nem metade dos civis que o governo israelense mandou matar nos ataques contra o Hamas.

Isso em quase dois anos de guerra aberta e contra uma força infinitamente superior ao Hamas, uma força regular e bem treinada e equipada.

Para Netanyahu a impressão que se tem é que a morte de 100 civis ou mais é justificada pela morte de apenas um membro do Hamas. Isso que a comunidade internacional ainda não teve como averiguar se entre os mortos estavam de fato membros do Hamas.

Mas em Gaza, aparentemente todos os civis mortos eram porque tinha um membro do Hamas do lado dele, e com isso o governo Netanyahu vai homologando seus crimes de guerra e o Holocausto Palestino.

Triste realidade!

E c’est fini.

Da Redação

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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