MICHELE CULPAVA DEMÔNIOS, MAS ERA A RACHADINHA QUE ASSOMBRAVA O PLANALTO

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PAU QUE DÁ EM CHICO, DÁ EM FRANCISCO

Um cerco está se fechando em torno de Michelle Bolsonaro por conta das mutretas reveladas por investigações da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro que pagava seus gastos. Ela, que acusou o Palácio do Planalto de ser um lugar “consagrado aos demônios” antes de Jair, mostrou que, na verdade, o que assombrava os servidores da Presidência da República era o temor sobre as maracutaias que a envolviam.
Reportagem de Aguirre Talento, no UOL, nesta segunda (15), aponta que a Polícia Federal identificou depósitos em dinheiro vivo em sua conta operados pelo faz-tudo de Jair, Cel. Mauro Cid. O tenente-coronel, hoje o mais notório preso bolsonarista por causa do escândalo de fraude em registros de vacinação, assumiu a função de Fabrício Queiroz como Depositador Geral da República em nome do casal imperial.
Indícios de que dinheiro de uma empresa com contratos com o governo federal pagava um cartão de crédito usado pela ex-primeira-dama, caía na conta de sua tia e bancava boletos do seu irmão, foram uma bomba na sua imagem vendida na eleição do ano passado, de “consciência moral” de Jair.
No sábado (13), outra reportagem do UOL apontou que diálogos descobertos no celular de Cid mostravam ele tentando avisar Michelle que esse tipo de movimentação desaguaria em denúncia de rachadinha, ou seja, de desvio de grana pública.
A uma das assessoras da então primeira-dama, Cid foi claro: “O Ministério Público, quando pegar isso aí, vai fazer a mesma coisa que fez com o Flávio (Bolsonaro), vai dizer que tem uma assessora de um senador aliado do presidente, que está dando rachadinha, tá dando a parte do dinheiro para Michelle”. Não surtiu efeito!
Nas redes sociais, o bolsonarismo tenta convencer que o ex-presidente e sua família estão sendo vítimas de uma conspiração. Ecoam o vitimismo de Jair, que chorou em uma entrevista à Jovem Pan, no dia 3 de maio, em meio a uma operação de busca e apreensão em sua casa. “Por que eu fico emocionado? Mexer comigo, sem problema. Quando vai para a esposa, filha, aí o negócio é desumano”, afirmou.
O mesmo político que diz isso é o que usou a conta da esposa para receber R$ 89 mil em cheques suspeitos de Fabrício Queiroz, que a envolveu no escândalo das joias árabes milionárias surrupiadas do patrimônio público, que a empurrou para a fogueira eleitoral a fim de conseguir votos dos evangélicos.
Ou seja, foi ele quem a jogou na fogueira. Agora, ela precisa explicar à sociedade a origem dos recursos com os quais pagava as contas. Vieram de remuneração lícita da família ou são fruto de suborno, propina e negociatas pagas ao marido? Ironicamente, foi Michelle que afirmou que o Palácio do Planalto era um local assombrado pelo mal em um culto no dia 7 de agosto do ano passado.
“Vou continuar orando e intercedendo em todos os lugares, e sabe por que, irmãos? Porque por muitos anos, por muito tempo, aquele lugar foi um lugar consagrado a demônios. Cozinha consagrada a demônios, Planalto consagrado a demônios e hoje consagrado ao senhor Jesus”, afirmou ela.
Muita assombração passou pelo Palácio do Planalto nos últimos quatro anos – de decisões que levaram à morte de mais de 700 mil pessoas durante a pandemia de covid-19 e de centenas de crianças yanomamis de fome e de doença às ações que desaguaram em uma tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro.
Pesquisas de opinião mostram que grande parte dos brasileiros não faz conexão automática entre essas tragédias e a responsabilidade de Bolsonaro. Mas o mesmo não pode ser dito de casos em que Jair e família tentam levar vantagem pessoal, seja nas joias milionários, na fraude de seus registros de vacinação ou no possível pagamento de boletos pessoais com dinheiro público.
A hipocrisia dos que se venderam como exemplo de retidão moral e “gente simples como a gente” explode quando o povão percebe que eles se ajoelharam diante de bezerros de ouro. Isso pode não se traduzir em críticas explícitas ao ex-primeiro-casal. Mas retira o tesão de qualquer pessoa temente a Deus de defende-los publicamente.
    Leonardo Sakamoto – no UOL

Redação
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