Moradores da cidade atingida dizem que o céu escureceu de repente e em questão de segundos o vento arrancou árvores e casas
Resultado foram seis mortos, mais de 775 pessoas atendidas e uma cidade inteira tentando entender o que ocorreu. A dona de casa Kelly viu sua casa desabar diante dos olhos. “Tudo aconteceu muito rápido. O céu escureceu, começou a ventar e derrubou a janela. Só deu tempo de pegar um colchão pra colocar em cima da minha família pra proteger. Mesmo assim, duas tias ficaram feridas. Da casa não sobrou nada”, contou, ainda em choque.
Enquanto alguns lutavam para sobreviver, outros chegaram para ajudar. Indianara, que é diretora de uma instituição de ensino em Chopinzinho, viajou até Rio Bonito do Iguaçu como voluntária, para cozinhar e distribuir alimentos a quem perdeu tudo. “Os que vêm até nós precisam de tudo. Alguns ganharam colchão, roupas, mas não têm casa para onde levar todas essas coisas”, disse ela.
A fé foi o abrigo de muitos em meio ao desespero. Irmã Rosane estava sozinha, se preparando para ir à igreja quando o vento rompeu a porta de casa. “Fiquei desesperada. Algo que me vinha muito forte era: Deus devia ter misericórdia da gente, porque, se Ele não tivesse, não conseguiríamos passar por aquele momento”.
Jorge Chaves, aposentado havia apenas dois dias, emocionou-se ao pensar no que poderia ter acontecido. “Se fosse em horário de escola, teria sido uma tragédia ainda maior. As escolas foram destruídas”, contou o morador, aposentado havia apenas dois dias, que se emocionou ao pensar no que poderia ter acontecido.
Uma casa resistiu aos ventos. Um contraste chamou atenção entre os escombros: na principal avenida da cidade, a casa de madeira de Ademilson e Rosa permaneceu de pé, enquanto grandes estruturas de alvenaria foram ao chão. “Saí do banheiro no escuro, procurando roupa, e bati a mão na Bíblia. A ergui para cima e comecei a conversar com Deus”, disse Rosa.
O aposentado Antônio Sabadini diz que teve sorte por ter saído vivo. Ele também estava casa com a esposa na hora do tornado. Ele diz que se encostou na parede e que a mulher se escondeu embaixo da mesa enquanto caiam telhas e vidros por toda a casa. “Nunca tinha visto isso na vida. As casas ao redor foram todas ao chão. Minha vizinha foi para a UTI em estado grave”.
Rio Bonito do Iguaçu vem recebendo doações de outros municípios em sua igreja matriz. As doações lotaram três ginásios esportivos na vizinha, Laranjeiras do Sul, de onde estão sendo enviados a Rio Bonito. São principalmente roupas, colchões e produtos de limpeza.
Veja os locais criados para dar suporte à população do município: Posto de comando – Restaurante e Churrascaria Vezzaro; Centro de acolhimento, triagem e cadastro – Ginásio de Esportes Campo do Bugre, onde moradores devem se dirigir para reportar danos em seus imóveis e solicitar liberação de crédito; Centro de alimentação – Centro do Idoso, local de distribuição de comida; Abrigo provisório – Casa de Líderes, no município de Laranjeiras do Sul. Pessoas em vulnerabilidade serão alocadas em hotéis da região, de acordo com a Defesa Civil; Recebimento de donativos – Ginásio dos Bancários, também em Laranjeiras do Sul.
Foi realmente uma grande tragédia, que só não foi maior em número de pessoas mortas, porque o fenômeno ocorreu fora do horário de aulas. Para nós, que temos visto esses fenômenos atmosféricos ocorrerem na América do Norte, cada vez que ocorrem por aqui ficamos a nos perguntar: “Isto tem a ver com os desmatamentos e outros problemas criados pelo próprio homem? Será que isto vai sensibilizar os participantes da COP30? Será que este acontecimento vai fazer com que certos governantes mundiais revejam seus pensamentos e sintam a necessidade de que se algo não for feito, e logo, nosso planeta passe a ser cada vez mais difícil de ser habitado? Ou a Terra ainda é um Planeta Selvagem mesmo?
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Colaborou: Fabio Donegá em Rio Bonito do Iguaçu (PR)
Da Redação Folha do Estado












