RIO GRANDE DO SUL MANCHA HISTÓRIA POR PERMITIR EM SUAS TERRAS TRABALHO ANÁLOGO A ESCRAVIDÃO

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Editorial

O retorno da “boia fria e azeda” no Rio Grande do Sul, arregado a trabalho degradante e desumano, imagens e registros que impactou a lembrança de muitos trabalhadores resgatados nas décadas de 80 e 90 em condições semelhantes as encontradas nas vinícolas e fazendas gaúchas pelas autoridades policiais.

A Polícia Federal, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e o MPT (Ministério Público do Trabalho) iniciaram uma operação na última sexta-feira (11) em duas fazendas a cerca de 50 quilômetros da área urbana de Uruguaiana (RS).

Dos 56 trabalhadores resgatados nesta sexta-feira (10), dez tinham entre 14 e 17 anos de idade. As vítimas das escravidão contemporânea trabalhavam em duas fazendas de arroz das estâncias Santa Adelaide e São Joaquim, na cidade gaúcha.

Para quem nunca trabalhou no campo, não tem muita noção, de como funciona o trabalho na roça, posso falar porque trabalhei no campo (roça), logo, o perfil dito pelos trabalhadores não são diferentes aos quais fomos submetidos no passado recente, na década de 80, no interior do Paraná, trabalhava-se pela “marmita”, ou seja, logo ganhou um nome singular, “boi fria”.

Ouvimos uma testemunha do trabalho análogo a escravidão, o ano, era 1982, ele conta que naquela época, ele era um adolescente e morava na cidade, e quando tinha uma oportunidade também ia trabalhar no campo, as atividades eram diversas e sem futuro, colher algodão, capinar feijão, dobrar milho e chapear atrás de uma mula das 7h00, às 18h00.  Posso relatar que aqueles anos, foram uns dos piores para forças de trabalhos, as pessoas viviam como zumbis, não havia trabalho e poucos empregos dignos e o que existiam era basicamente em troca de uma “marmita”.

Assisti aos olhos um dos maiores êxodos dos interiores do Brasil para os grandes centros, lembro-me de um programa de rádio, a “flor do campo”, que contava o número de caminhões de mudanças que deixava o interior com destino as grandes capitais, como, São Paulo, Curitiba, São José dos Pinhais, Jundiai, Joinville, São José do Campos, foram centro urbanos que mais recebiam pessoas refugiadas dos campos de trabalho nos interiores do Paraná e de outros estados do Sul.

Lembro ele, que no finalzinho da década de 80, falava-se que a cidade em nasceu, havia perdido metade da sua força de trabalho para os grandes centros, ou seja, de 70 mil para os atuais 32 mil atuais. Em dez anos, Paraná perdeu 13% da população rural, segundo censo do IBGE. (Ele preferiu manter-se no anonimato)

Este é um exemplo, as cidades catarinenses, paulistas e as dos no litoral, foram os locais que essas populações excluídas dos campos devido a mecanização desornada e desorganizada, direcionaram as suas esperanças em trabalhos urbanos. O Estado Catarinenses, a exemplo de cidades como Joinville, Jaraguá do Sul, Florianópolis, receberam milhares de imigrantes do campo, as décadas de 80 e 90, foram testemunhas deste êxodo cruel, felizmente, muitos lograram êxitos, conquistaram empregos, cuidaram de suas famílias e escaparam da escravidão branca, que não é e não foi nenhum pouco diferente a este flagrante das denúncias relacionadas no estado do Rio Grande do Sul.

Não conhecemos nenhuma pesquisa qualitativa e quantitativa de dados que apontam que um trabalhador migra de sua região por um desejo que não seja fugir de realidades extremas de pobreza ou de exploração de sua mão de obra, são raras as situações em que pessoas deixam sua região para migrar para um outro lugar, região desconhecida sem considerar todos os riscos, essa decisão, sempre se dão, de forma calculada, se vale o risco de serem submetidas as condições análogas de trabalhos forçados e sem expectativas de futuro.

Conta o ex-trabalhador escravizado, que os governos do Paraná, lançou uma campanha para orientar os trabalhados de regiões do interior antes de partirem em direção a qualquer região a trabalho, deveria filtrar, tomar cuidado, e em caso de suspeita de promessas mirabolantes procurar as autoridades para não ser recrutados por empresas que utilizava “gatos” pessoas especializadas para recrutar mão de obra escrava, o trabalhador conta ainda que a propaganda alertava sobre vários riscos, trafego humano para prostituição, trabalho análogo e até do risco de ser vítima de retirada de órgãos. Conta que vários “gatos” foram detidos nas delegacias de São João do Ivaí/PR, Jandaia do Sul/PR e Pitanga, para dar explicações do desaparecimentos de trabalhadores daquela região.

O êxodo rural é um movimento migratório caracterizado pela saída da população da zona rural para a zona urbana, ou seja, do campo para a cidade em busca de uma oportunidade e grande maioria são e foram de fato “refugiadas” de sistema cruel de exploração do trabalho em troca da alimentação.

“Uma outra fonte conta que trabalhava de fiscal, uma espécie de “agente” que recrutava pessoas boa de trabalho para colher feijão e numa das ocasiões, recebeu pessoas que se ofereciam para trabalhar em troca da “comida” ou irei pela metade do valor”.

Quem vivenciou esta década perdia, de 80 e 90, sabem perfeitamente as razões, a exemplo do estado do Paraná, somente na década de 2010, perderam para imigração, 2 milhões de trabalhadores rurais, para os grandes centros, ou melhor, para concentrar nas favelas dos grandes eixos das indústrias na zona urbanas.

Não posso deixar de falar sobre uma das causas, a modernização da produção agrícola, nas décadas de 70/80, a concentração fundiária, a busca por melhores condições de vida e melhores empregos, entre outros fatores. Todas estas questões, foram implementadas sem o cuidado com os trabalhadores, não se conhece políticas públicas dos governos e até mesmo da iniciativa privada, das indústrias agrícolas, preocupadas com o bem-estar das populações residentes nos campos?

O movimento de saída do campo faz com que se diminua a população rural de um país, de uma região, gerando escassez de mão de obra, diminuindo também os níveis de produção de alimentos e de matéria-prima. O que abre janelas para os oportunistas, os terceirizados, que são nada menos ou igual atividade do “gato” os recrutadores de mão de obra escrava para a indústria que terceirizou também a responsabilidade contratual.

O impacto já pode ser sentido na indústria agrícola, na mesa e no bolso de todos, a exemplo, da migração de pessoas de regiões distantes, essa indústria despreparada e cruel na ausência de uma mão de obra qualificada, se aventuram na busca de pessoas de outras culturas e o resultado não poderia ser outro.

No processo de escravatura, observamos o mesmo modus- operandi, as características não fogem as regras, a busca do negro na África, foi exatamente com a mesma causa, a escassez de mão de obra nativa. Quando os nativos perderam o interesse e descobriram outros meios de sobrevivências as explorações, dos campos de canaviais, cafezais e outras culturas de exploração.

Os donos de fazendas em Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, passaram buscar alternativas, os negros africanos. Não pense vocês que o modelo de planejamento das empresas denunciadas no RGS, não seja tão igual quanto, todo o trabalhador, não deixaria sua cultura, seu povo e famílias originárias para se aventurar em uma região estrangeira sem que não houvesse uma proposta que superasse aquelas vividas por eles na sua origem.

Assim, são os trabalhadores assediados para trabalharem neste campos análogo a escravidão, existem um planejamento, pessoas profissionais e instruídas, que organização uma programação direcionada para assediar de forma inteligente as vítimas e atraí-las para a armadilha, assim, ocorreu nos períodos que os negros africanos deixaram suas origens em busca de uma oportunidade, na verdade, todos foram enganados por uma indústria de propaganda falsa, patrocinada pela ganancia, de Ter, possuir e escravizar a qualquer custo, lembrando que nada disso pode sem implementado sem o apoio da vista grossa do Estado.

Não existem quem possa sair em defesa do Estado Brasileiro, em pleno século XXI, aceitar que empresas organizadas ou não, possam montar dentro da estrutura privada aos olhos do Poder do Estado, qualquer trabalho estrutural que não seja pela livre incoativa da escolha, dos ajustes e garantias básicas de alimentação, alojamento ou moradia adequada, registro em Carteira, programa de saúde, público ou privado, vencimentos em de acordo com as tabelas de preços regional amplamente fiscalizadas pelos órgão reguladores.

Gostaria de deixa muito claro, que as indústrias que patrocinam as vinícolas no Rio Grande do Sul, não pode alegar ignorância, tem conhecimento da legislação, “quero refutar qualquer manifestação ideológica ou fisiológica, de direita ou de esquerda, com contra argumentação de que a iniciativa das ações da Delegacia do Trabalho, do Ministério Público e das Polícias Federal e Civil, teria qualquer cunho “político” ideológico, ou de que as prisões nestes casos sejam um fato isolado!

Todos os casos estão sendo amplamente registrados, com provas documental, provas dos fatos, testemunhas das vítimas resgatadas em flagrante, testemunhos de 207 vítimas em um dos casos e de outros cerca de 50 trabalhadores em uma fazenda.

O que agrava o modus operandi, que outras pessoas muitos antes destas vítimas vieram declarar-se testemunhas nos processos, afirmando terem sido vítimas do mesmo processo de assédio patrocinado por esta indústria irresponsável, que na alusão de escaparem das responsabilidades terceirizaram as contratações, ou seja, a desculpa que não tinha conhecimento, com todo respeito a estes “patrões” espero que as prisões sejam também terceirizadas e todos os responsáveis punidos exemplarmente.

As empresas devem ser protegidas para que não seja desmontada e destruída, vou continuar tomando meu vinho, suco de uva e comprando os produtos das cooperativas que administram as produções e que geram muitos empregos e distribuem renda, logo, nada disso impede a fiscalização rigorosa, multas pesadas, prisão em flagrante, condenação com penas restritivas de liberdade para todos os agentes da iniciativa privada que atentarem contra o trabalho justo, suor equânime e força digna do trabalhador humano.

Da redação

Redação
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Portal do notícias Folha do Estado especializado em jornalismo investigativo e de denúncias, há 20 anos, ajudando a escrever a história dos catarinenses.
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