Acidentes vêm se repetindo no local sem que providências sejam tomadas
Joinville – Na manhã desta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, o cruzamento entre as ruas Guilherme, Professor James Frustuck e Carlos Willy Boehm, no bairro Costa e Silva, voltou a ser palco de mais uma grave ocorrência de trânsito. A colisão de grande impacto entre um automóvel e uma motocicleta deixou uma vítima em estado grave, mobilizando equipes de resgate e chocando moradores da região. Mais uma vez, o asfalto se transformou em cenário de dor, revolta e indignação, uma situação que, segundo a comunidade local, poderia e deveria ter sido evitada.
O MEDO COMO VIZINHO DIÁRIO
Para quem convive com o cruzamento, o episódio desta manhã não foi surpresa. Moradores e comerciantes relatam que o local é marcado por alto fluxo de veículos, visibilidade comprometida e excesso de velocidade, fatores que tornam a travessia extremamente perigosa. “Todo mundo aqui sabe que esse cruzamento é perigoso. A gente só espera o dia em que algo grave vai acontecer. Hoje aconteceu”, relatou um comerciante da região, que preferiu não se identificar.
Segundo a comunidade, pedidos reiterados já foram feitos à Prefeitura de Joinville para a instalação de semáforo, lombada ou redutores de velocidade, sem que nenhuma providência concreta fosse adotada.
UMA ROLETA RUSSA URBANA
A travessia no entroncamento é descrita por moradores como uma verdadeira “roleta russa”, tanto para motoristas quanto para motociclistas e pedestres. Em horários de pico, o risco se multiplica, e a ausência de sinalização eficaz transforma o cruzamento em um ponto crítico permanente. “Não é questão de ‘se’ vai acontecer outro acidente, é ‘quando’. Hoje foi mais um”, afirmou uma moradora que acompanhou o atendimento à vítima.
DOCUMENTO COMPROVA ALERTAS PRÉVIOS IGNORADOS
A indignação dos moradores ganha ainda mais força diante de um fato concreto: a Prefeitura de Joinville foi oficialmente alertada sobre o risco no local semanas antes do acidente.
Em 26 de novembro de 2025, o vereador Brandel Junior (PL) encaminhou ao Executivo Municipal o Ofício Parlamentar nº 4468/2025, solicitando estudo de viabilidade técnica para a instalação de lombada ou sinaleiro na Rua Guilherme, nas proximidades do número 1263, exatamente na área do cruzamento onde ocorreu o acidente .
O documento, protocolado e assinado eletronicamente, evidencia que o risco era conhecido, formalizado e registrado, reforçando a percepção de omissão administrativa.
O SILÊNCIO DO PODER PÚBLICO
A pergunta que ecoa no bairro é direta e incômoda: até quando a Prefeitura de Joinville permanecerá inerte diante de um problema conhecido e recorrente?
Moradores questionam se será necessária uma morte para que medidas efetivas sejam finalmente adotadas. Até o fechamento desta reportagem, nenhuma manifestação oficial havia sido divulgada pelo município sobre o acidente ou sobre intervenções planejadas para o local. Especialistas em mobilidade urbana são unânimes ao afirmar que pontos com histórico de acidentes exigem ações preventivas, e não respostas tardias após tragédias consumadas.
PREVENÇÃO CUSTA MENOS QUE VIDAS
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade do poder público na gestão do trânsito urbano. A ausência de infraestrutura adequada, aliada à omissão administrativa, transforma falhas previsíveis em tragédias anunciadas. Enquanto isso, moradores seguem convivendo com o medo e com a sensação de abandono. A reportagem continuará acompanhando o caso e aguarda posicionamento oficial da Prefeitura de Joinville.
NR: A Prefeitura de Joinville e o Departamento de Trânsito já haviam sido formalmente comunicados sobre os riscos no cruzamento por meio de ofício parlamentar protocolado em novembro de 2025, solicitando estudo de viabilidade para a implantação de lombada ou sinaleiro no local. Até o momento, não há informação pública sobre providências adotadas. A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura e dos órgãos de trânsito, garantindo o direito ao contraditório e aos esclarecimentos que entenderem necessários.
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Texto: José Santana
Foto: Divulgação




























