Cresce no Brasil a procura de executivos por treinamentos de oratória como estratégia para liderar com mais clareza e empatia
Em um mercado corporativo cada vez mais competitivo, a capacidade de se comunicar com clareza, presença e empatia passou a ser tratada como uma competência essencial de liderança. No Brasil, cresce o número de executivos que buscam cursos de oratória como estratégia para fortalecer a comunicação e melhorar o desempenho em apresentações, negociações e gestão de equipes.
Embora a comunicação seja considerada uma das principais habilidades gerenciais, muitos líderes ainda enfrentam inseguranças na hora de falar em público. Esse cenário tem impulsionado a procura por treinamentos especializados, sinalizando uma tendência clara: transformar a comunicação em um dos pilares da liderança eficaz.
Para a Dra. Cristiane Romano, fonoaudióloga, mestre e doutora em Expressividade pela USP, investir em oratória vai além da estética vocal é um imperativo estratégico. “Não basta ter conteúdo. É preciso transmitir ideias com clareza, emoção e empatia. Essa capacidade de mobilizar por meio da fala faz toda a diferença em ambientes corporativos”, destaca a especialista, que atua há mais de duas décadas no desenvolvimento de líderes em empresas de diversos setores.
Entre os principais ganhos observados, segundo Romano, está o aumento do impacto em apresentações. Profissionais que dominam a própria voz, postura e estrutura argumentativa conseguem comunicar-se com mais autoridade e carisma, tornando-se figuras de referência dentro das organizações. “A boa comunicação deixa de ser um acessório e passa a ser um ativo competitivo”, completa.
Outro efeito positivo é o fortalecimento dos vínculos por meio da empatia. Líderes que exercitam a escuta ativa e utilizam a linguagem de forma acolhedora geram conexão genuína com seus públicos. “O líder que fala com o coração, sem perder a técnica, conquista confiança, engaja e inspira”, pontua a fonoaudióloga.
No entanto, o caminho ainda envolve desafios. A exposição emocional diante de plateias continua sendo um fator de ansiedade para muitos executivos, que temem a vulnerabilidade ou o julgamento. A ausência de uma cultura corporativa voltada à comunicação contínua também contribui para que treinamentos sejam vistos como ações pontuais, e não como um processo evolutivo.
“É comum que os líderes só busquem apoio quando precisam falar em um evento importante. Mas a comunicação precisa ser treinada no dia a dia, porque ela molda a reputação, a influência e a capacidade de gerar impacto constante”, adverte a Dra. Cristiane Romano.
A especialista também defende que o desenvolvimento da oratória não deve se restringir aos altos escalões. Em empresas de médio porte, startups e setores operacionais, comunicar com clareza e confiança pode melhorar significativamente o desempenho e a tomada de decisões.
A tendência é reforçada por estudos como o relatório “Global Human Capital Trends” (Deloitte, 2024), que destaca a valorização da comunicação como habilidade-chave para o futuro do trabalho — ainda que apenas 28% das organizações ofereçam capacitação formal nesse campo.
Para a Dra. Romano, a conclusão é inequívoca: “Oradores inspiradores não nascem prontos. Eles se formam na prática cotidiana da comunicação consciente. Incorporar essa habilidade ao cotidiano das organizações é o que diferencia líderes de verdade de meros gestores.”

Por Paulo Novais – Assessor de Imprensa
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