Fortuna: 1 trilhão de dólares de Musk acabaria com fome, pobreza e desmatamento

Quem tem muito sempre quer ter mais, o resto é papo furado

A obscena recompensa trilionária que a Tesla promete dar para Elon Musk caso ele cumpra as metas da empresa colocará o homem mais rico do mundo como uma das 30 maiores economias do planeta, caso ele fosse comparado a um país.

Se comparado aos dados do FMI, 170 países têm hoje um PIB abaixo da fortuna que o empresário acumularia. Sua fortuna é, no fundo, um sinal de um desequilíbrio profundo no nosso planeta.

Em 2024, a Oxfam anunciou que o mundo teria seu primeiro trilionário antes de a década acabasse. Estavam errados. O mundo terá cinco trilionários até 2030.

A fortuna dos bilionários cresceu US$ 2 trilhões em 2024, o que representa cerca de US$ 6 bilhões gerados por dia por esses indivíduos, e quatro novos bilionários entraram para esse grupo a cada semana.

Os números e o anúncio de Musk se contrastam com a comemoração do governo brasileiro de que o novo fundo para salvar as florestas em todo o mundo ganhou o apoio de US$ 5 bilhões dos generosos doadores de países ricos. Uma migalha se olharmos pelo lado dos trilionários.

Nos últimos anos, temos debatido com uma intensidade ímpar as ameaças que vivem as democracias. Mas há um elemento que está no centro desse desafio: ele se chama desigualdade.

A desigualdade é a perpetuação de uma linha divisória no planeta entre opressores e oprimidos. A desigualdade é obscena, criminosa e imoral. Pode ter quem discorde, mas esta é a verdade.

A camada de 1% da população mais rica do planeta tem mais riqueza do que os 95% mais pobres da população mundial juntos.

O 1% mais rico do mundo aumentou seu patrimônio em mais de US$ 33 trilhões em dez anos. Isso é mais do que suficiente para eliminar a pobreza em 22 vezes. Não faltaria dinheiro.

Em 2021, a ONU estimou que precisaria de US$ 400 bilhões para acabar com a fome até 2030. Mais uma vez: uma migalha diante da fortuna que circula entre os mais ricos. Quem morre de fome no mundo, portanto, morre assassinado.

Estamos observando a criação de uma oligarquia global, capaz de controlar o destino de bilhões de pessoas. Portanto, não lidaremos com questão migratória, fome, pobreza, clima enquanto não houver um reconhecimento de que a concentração de poder e de recursos está na base de muitos desses desafios.

A construção do outro, que é o que estamos vendo nos EUA, Europa e em tantos outros lugares, é um atalho usado por populistas para tirar do foco um problema muito mais sério, que é a profunda desigualdade no planeta.

Mas Musk não pode ser o centro da mobilização. Ele é a expressão desse desequilíbrio. Ele existe por conta de um sistema econômico que deixou a distribuição como um elemento secundário. Outros trilionários eventualmente existirão por conta de um sistema que valoriza apenas lucro, e não a viabilidade da civilização.

Atacar Musk é fácil. Transformar o sistema de produção, garantir dignidade, proteger florestas, socorrer bilhões de pessoas da pobreza e fazer com que o conceito de humanidade chegue a todos, de fato, é muito, mas muito mais desafiador.

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Por Jamil Chade – Uol

 

Redação
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