Alerta: o que seu corpo pode te contar?

Veja se isto é comparável com o que você faz

Acordei com a cabeça pesada. Dor no fundo dos olhos e aquela sensibilidade insuportável à luz. Quem tem, já sabe o nome. Enxaqueca. Eu havia vindo de dias intensos e cansativos, e aquele dia guardava mais um longo compromisso. Tentei fazer o corpo pegar no tranco, como se fosse máquina. Ele não correspondia (com razão). Daí, fiz silêncio para escutar o que tinha a me dizer. Ouvi “descanse”, em alto e bom som. 

Num primeiro momento, outra voz começou a se sobrepor à necessidade do corpo. Era a culpa. Começou a contar historinhas do tipo “ahhh, mas você vai mesmo perder esse evento, que é tão legal, com tantas pessoas interessantes…?”, e daí por diante. Fato é que o corpo é soberano. E, quanto antes a gente aprender a escutar seus sinais, menor a conta a pagar (porque a conta sempre chega). Felizmente, era um compromisso adiável, apesar da minha auto-exigência em comparecer.

Esse pequeno episódio me fez pensar em quantas vezes negligenciamos os chamados do nosso corpo. A gente se vê muito mais como um cérebro que, por acaso, também tem um corpo, em vez de enxergar  a totalidade do nosso ser, que nos manda sinais o tempo inteiro. Costumo dizer que ele começa falando baixinho, mas tem horas que precisa gritar. Quase um pedido de socorro.

Negligenciamos o físico esquecendo que ele é a morada da alma. Ignoramos suas necessidades de sono, de nutrição (comer não é só para matar a fome!), de água e até de necessidades fisiológicas – quem nunca segurou um xixi só pra terminar “algo mais importante”? Trabalhamos por horas a fio, sentados, mal esticamos as pernas. Os olhos, pobrezinhos, enxergam mais quadrados e menos horizontes. E tudo isso nos manda um sinal. Ou vários sintomas.

Essa abordagem do corpo como um grande mapa de nós mesmos já vem sendo defendida por muitos especialistas. Um livro curto,  que eu adoro, chamado O Corpo Tem Suas Razões, da francesa Thérèse Bertherat, começa com uma reflexão que diz mais ou menos assim: o corpo é como uma casa própria que muitos passam em frente mas nunca chegaram a adentrar.  Ao mesmo tempo, a sociedade endeusa corpos de forma estética sem trazer a consciência do que significa, de fato, cuidar bem dele. “Nosso corpo somos nós. […] Tomar consciência do próprio corpo é ter acesso ao ser inteiro… pois corpo e espírito, psíquico e físico, e até força e fraqueza, representam não a dualidade do ser, mas sua unidade”, escreve Thérèse. Precisamos mesmo recuperar as chaves. 

Aliás, é no corpo que também estão guardados muitos dos nossos traumas e reações a acontecimentos difíceis, como diz o grande estudioso do tema, Bessel Van Der Kolk, em O Corpo Guarda As Marcas, com uma profunda compreensão do quanto é preciso saber também sobre este físico e o que ele carrega para a dissolução dos nossos conflitos mais profundos. A obra é uma boa referência para quem deseja mergulhar no assunto. 

Mas, por enquanto, nem quero ir muito longe. Se fizermos o básico, estaremos em larga vantagem. Dar o descanso, o alimento, a paisagem e, claro, os afetos (um abraço cura muito), já é um precioso compromisso para começar a semana. Zelar por este corpo, enfim, é um profundo gesto de autoamor.

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Por: Débora Zanelato

 

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