Especialista explica como a teoria de Viktor Frankl utiliza a busca pelo sentido para ajudar pacientes a superarem crises e depressão
Como o ser humano consegue suportar o sofrimento extremo e ainda assim encontrar um motivo para seguir adiante? Essa pergunta foi a base para a criação da Logoterapia, uma abordagem psicoterapêutica que provou sua eficácia nos cenários mais adversos da história: os campos de concentração nazistas. Criada pelo neuropsiquiatra austríaco Viktor Frankl, a escola psicoterapêutica foca na “vontade de sentido” como a principal força do homem. A psicóloga Maryane Sibaldo, especialista na área, destaca como essa filosofia prática oferece ferramentas fundamentais para enfrentar as dores psíquicas da atualidade.

Frankl, que sobreviveu a quatro campos de concentração, pôde comprovar na prática que a busca pelo sentido é capaz de fazer o homem suportar o sofrimento. Para Maryane, esse legado histórico é o que torna a Logoterapia tão potente no consultório. “A descoberta do sentido é o principal objetivo nas demandas que surgem. Não é incomum chegarem pessoas angustiadas e desesperançosas diante de um sofrimento inevitável, e a Logoterapia fornece a esse paciente as ferramentas para trocar o ‘porquê’ pelo ‘para quê’, auxiliando na descoberta de um sentido para a sua existência”, afirma.
O SENTIDO COMO ANTÍDOTO PARA O DESESPERO
Diante de crises ou quadros depressivos, é comum que o indivíduo se perca em questionamentos que podem levar à falta de perspectiva. Maryane explica que, para a Logoterapia, o desespero é, essencialmente, um sofrimento sem sentido. Ao contrário da ideia social comum da busca pelo alívio imediato, a Logoterapia não nega a realidade da dor, mas atua como um guia.
- A Logoterapia funciona como um farol apontando um caminho. Além de reconhecer o sofrimento inevitável, ela mobiliza o sujeito a tirar o foco de si mesmo e dedicar-se a algo ou alguém fora de si. É neste movimento de autotranscedência que o sentido é descoberto e o desespero dá lugar à esperança – pontua a psicóloga.
A DIFERENÇA ENTRE LOGOTERAPIA E PSICANÁLISE
Embora ambas as escolas tenham raízes em Viena e Frankl reconheça a importância fundamental de Freud para o estudo da psiquê, a Logoterapia se distancia da Psicanálise freudiana em pontos fundamentais. Enquanto a Psicanálise se debruça de modo mais relevante sobre o passado, o inconsciente e os traumas, a Logoterapia volta o olhar para o presente e o futuro do indivíduo.
Maryane Sibaldo ressalta que a divergência é, sobretudo, antropológica: “Na Psicanálise, o que move o homem é a busca pelo prazer; já na Logoterapia, mesmo reconhecendo a importância do prazer, o que move o homem é a busca pelo sentido, valores e propósito de vida. Frankl acreditava que, diante de qualquer sofrimento, o ser humano é livre para escolher a atitude de como irá enfrentá-lo”.
SOBRE MARYANE SIBALDO
Maryane Sibaldo é psicóloga formada há 10 anos pela Universidade Federal de Alagoas e especialista em Logoterapia pela Universidade Católica do Salvador. Atua em consultório com foco em jovens e adultos, e atua ainda na área da saúde com pacientes em internação domiciliar.
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