Editorial: Vereadores fazem mira no prefeito mas acertam na cidade

Muitas pessoas não querem realmente a liberdade, pois isso envolve responsabilidade. A maioria delas tem medo de ser responsável

Em plena alta temporada, quando Itapema vive o auge da sua exposição nacional e internacional, dois vereadores têm adotado uma postura que levanta sérias preocupações. Em vez de contribuirem para a solução de problemas históricos, optam por usar as redes sociais como palanque permanente para atacar o saneamento básico do município e questionar, de forma reiterada e sensacionalista, a balneabilidade das nossas praias.

Não se trata de negar que Itapema enfrente desafios. Como qualquer cidade litorânea, em rápido crescimento, existe problemas pontuais, especialmente relacionados à rede pluvial, que em alguns trechos sofreu com ligações clandestinas e criminosas no que se refere ao esgoto. Esses atos não são falhas abstratas da cidade, mas crimes ambientais e de saúde pública praticados por indivíduos que precisam ser identificados e responsabilizados.

O que causa espanto é a escolha política feita por esses parlamentares. Ao invés de somar esforços com os órgãos de fiscalização, pressionar pela investigação dos responsáveis e colaborar na construção de soluções estruturais, preferem expor a cidade de forma negativa, generalizando situações específicas, como se isso fosse a regra. Em tempos de comunicação instantânea, esse tipo de divulgação se espalha com assustadora velocidade, especialmente quando carrega um tom alarmista.

O resultado é um dano direto à imagem da cidade de Itapema. Cidade, aliás, que possui o segundo metro quadrado mais valorizado do Brasil, e que depende fortemente da credibilidade do seu nome. Corretores de imóveis, empresários do turismo, trabalhadores do comércio e milhares de famílias vivem da boa reputação do município. São pessoas que trabalham diariamente para vender Itapema como um destino seguro, valorizado e atrativo – esforço que pode ser destruído em minutos por vídeos e postagens irresponsáveis.

Ao atacar a imagem da cidade para atingir o prefeito e o governo atual, esses vereadores acabam errando o alvo. O prefeito pode até ser o adversário político, mas quem sofre as consequências é toda a coletividade. A cidade perde, o turismo perde, o mercado imobiliário sente o impacto e o trabalhador comum paga a conta.

Crítica responsável é parte essencial da democracia. Mas há uma diferença clara entre fiscalizar com seriedade e sabotar a imagem do próprio município. Vereadores foram eleitos para defender os interesses da cidade e da população, não para transformar problemas localizados em espetáculo político, ás custas do futuro econômico e social de Itapema.

RESPONSABILIDADE COLETIVA: UM OLHAR SOCIOLÓGICO

Do ponto de vista da sociologia, a responsabilidade pública é um elemento central da vida em sociedade. Quando agentes com poder de influência ignoram o impacto coletivo de suas ações, rompem um pacto social básico: o de que interesses individuais ou partidários não devem se sobrepor ao bem comum. Em contextos urbanos e turísticos, a palavra de uma autoridade tem peso simbólico e efeitos colaterais concretos. Usá-la sem responsabilidade não é apenas um erro político, mas um desvio ético que fragiliza a confiança social e prejudica toda a coletividade.

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Da Redação

Folha do Estado de SC

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