“Exoneração ocorreu um dia após declaração pública em podcast; prefeitura não confirma motivação política, mas cronologia levanta suspeitas nos bastidores”
Nos bastidores da política local, um episódio recente acendeu o sinal de alerta sobre os limites entre técnica, gestão pública e posicionamento político em ano pré-eleitoral. Paulo Debatin, nome conhecido na área de segurança e gestão de crises, foi exonerado da Coordenadoria da Defesa Civil de Balneário Piçarras um dia após declarar apoio público à reeleição do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), durante participação em um podcast.
A cronologia dos fatos chamou atenção. Em vídeo que circula nas redes sociais, Debatin fala abertamente sobre política como missão e legado, defendendo o engajamento público como forma de devolver à sociedade parte do que recebeu ao longo da carreira. No mesmo contexto, ele afirma que um dos fatores decisivos para assumir a presidência do PRD foi o alinhamento do partido com o projeto de reeleição de Jorginho Mello em 2026 – apoio já confirmado oficialmente pela sigla. No dia seguinte à declaração, veio a publicação do ato de exoneração.
COINCIDÊNCIA ADMINISTRATIVA OU RESPOSTA POLÍTICA?
Oficialmente, a Prefeitura de Balneário Piçarras não atribui a exoneração a motivação política. Nenhuma nota pública detalhou as razões administrativas da saída, o que ampliou as interpretações no meio político local. A proximidade temporal entre a manifestação de apoio e o desligamento do cargo, no entanto, alimentou uma leitura incômoda: em período pré-eleitoral, até funções técnicas podem se tornar sensíveis quando seus ocupantes se posicionam politicamente.
A situação ganhou repercussão especialmente porque Debatin não fez declarações genéricas. Ele vinculou de forma direta sua atuação partidária ao projeto político do atual governador, destacando que o PRD entra no cenário catarinense como aliado da continuidade do governo estadual.
ANO PRÉ-ELEITORAL E CARGOS SOB PRESSÃO
O episódio ocorre em um momento de reposicionamento partidário em Santa Catarina, com legendas ajustando discursos, alianças e quadros de liderança para 2026. Nesse contexto, a saída repentina de um coordenador da Defesa Civil – área tradicionalmente associada a critérios técnicos e operacionais – reforça a percepção de que a disputa política já começou, mesmo antes do calendário oficial.
Em rodas de conversa, grupos de WhatsApp e bastidores do poder municipal, a pergunta se repete: a exoneração foi apenas um ato administrativo de rotina ou uma resposta política ao apoio público declarado ao governador?
SILÊNCIO OFICIAL E REPERCUSSÃO LOCAL
Até o momento, nem Paulo Debatin nem a Prefeitura detalharam publicamente os termos do desligamento. O silêncio institucional, longe de encerrar o assunto, contribuiu para ampliar a repercussão e consolidar o episódio como um símbolo do clima político que se instala na cidade.
Em Balneário Piçarras, a sensação entre observadores atentos é clara: a temporada eleitoral começou antes da hora e, para alguns cargos, a farda da Defesa Civil pode pesar menos do que a cor da bandeira política.
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Da Redação













