Especial para a Folha do Estado
Editoria: Política | Santa Catarina
Reportagem: José Santana
Caminhada de sete dias, entre Florianópolis e a divisa com o Paraná, reúne pautas políticas, críticas ao sistema judicial, reivindicações por infraestrutura viária e alerta sobre o colapso do saneamento básico em Santa Catarina
O vereador de Joinville Wilian Tonezi (PL), pré-candidato a deputado estadual, confirmou participação na caminhada “Acorda Santa Catarina. Acorda Brasil”, mobilização de caráter pacífico liderada pelo deputado estadual Sargento Lima (PL). O ato integra um movimento nacional iniciado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com quem Tonezi já caminhou em trecho da marcha realizada em Minas Gerais.Em Santa Catarina, a caminhada terá início no dia 5 de fevereiro, na Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, e seguirá até o dia 14 de fevereiro, na divisa com o Paraná, totalizando aproximadamente 217 quilômetros percorridos a pé em sete dias. Durante o trajeto, serão conduzidas as bandeiras do Brasil e de Santa Catarina, que posteriormente serão entregues à comitiva paranaense, responsável por dar continuidade ao percurso até São Paulo, onde a bandeira será recebida pela jornalista e pré-candidata ao Senado Cristina Graeml (Novo-PR).
A mobilização em Santa Catarina integra o eixo Sul do movimento “Acorda Brasil”, que teve início com a caminhada de Nikolas Ferreira entre Paracatu (MG) e Brasília. No Sul do país, a marcha começou no Rio Grande do Sul, liderada pelo deputado Capitão Martim, que fará a entrega simbólica das bandeiras aos catarinenses na divisa entre os estados. Em território catarinense, o percurso é conduzido por Sargento Lima até Garuva, na divisa com o Paraná, com participação de apoiadores e lideranças conservadoras.
Reivindicações e motivações do movimento
Segundo Wilian Tonezi, a caminhada possui caráter simbólico e político, com foco na defesa da liberdade de expressão, no questionamento do rigor do sistema judicial e na denúncia do abandono estrutural de áreas essenciais pelo poder público.
Entre as principais pautas levantadas está a crítica à desproporção das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, além da situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo o parlamentar, estaria sendo tratado “com mais rigor do que criminosos de alta periculosidade”.
Além das pautas nacionais, Tonezi destaca demandas estruturais históricas de Santa Catarina, especialmente relacionadas à infraestrutura viária federal. O vereador aponta o colapso recorrente da BR-101, principal corredor logístico do Estado, e a falta de investimentos na BR-280, sobretudo no trecho entre Joinville e São Francisco do Sul, fundamental para o escoamento da produção industrial e portuária do Norte catarinense.
“Não estamos falando apenas de política em Brasília. A mesma mão pesada do Estado que persegue manifestante é a que abandona as rodovias, estrangula o caminhoneiro, aumenta impostos e não devolve em serviços. Caminhar por Santa Catarina é olhar no olho das pessoas e dizer que não nos conformamos com isso”, afirmou Tonezi.
O parlamentar reforça que o ato é pacífico, sem uso de recursos públicos, sem convocação formal e com participação voluntária de cidadãos que, segundo ele, não conseguem estar presentes em Brasília ou nos grandes centros de decisão política.
Infraestrutura como critério eleitoral
A redação entende que a duplicação da BR-101 precisa deixar de ser promessa episódica e assumir caráter de pauta estruturante permanente em qualquer debate público, mobilização política ou agenda eleitoral em Santa Catarina. Trata-se de uma reivindicação reincidente, histórica e inadiável, que impacta diretamente a economia, a segurança viária, a logística e a qualidade de vida da população.
Neste ano eleitoral, o eleitor deve avaliar com rigor os discursos e planos de governo dos pré-candidatos, verificando se há compromisso claro, explícito, irrestrito e inegociável com:
•a duplicação integral da BR-101, no trecho entre Curitiba e Criciúma;
•a duplicação da BR-280, no trecho que liga a BR-101 a São Francisco do Sul;
•a conclusão urgente da BR-470;
•e a finalização do trecho da BR-101 até o Porto de Navegantes, obra estratégica para a competitividade do sistema portuário catarinense.
Sem esses compromissos formalizados, não há discurso que se sustente diante da realidade logística e econômica do Estado.
Saneamento básico: a maior infraestrutura de saúde pública
Entretanto, a redação ressalta que nenhuma candidatura deveria ser registrada em Santa Catarina sem que o postulante passe por um estudo teórico e prático profundo sobre a importância do saneamento básico, que constitui a maior infraestrutura de saúde pública existente.
A saúde coletiva não começa na construção de hospitais, UPAs ou na ampliação do SAMU. Essas estruturas, embora necessárias, são frequentemente utilizadas como pautas eleitorais superficiais, direcionadas a quem não possui formação básica em educação em saúde pública. O foco exclusivo nessas estruturas revela desconhecimento dos fundamentos que realmente reduzem internações, mortalidade e gastos públicos.
O saneamento precário em Santa Catarina se reflete diretamente na superlotação hospitalar, na necessidade constante de novos leitos e na proliferação de unidades de atendimento emergencial. Trata-se de um modelo que trata efeitos, mas ignora causas.A crise recorrente da balneabilidade do litoral catarinense, vitrine econômica, turística e institucional do Estado, evidencia a negligência histórica com o saneamento básico. Se o litoral — que gera bilhões em arrecadação — não recebe prioridade, o cenário do interior é ainda mais grave: baixo investimento estrutural, quase inexistência de políticas de saneamento e elevado desperdício de recursos públicos.
É preciso afirmar com clareza: um feto não deveria nascer em um sistema que só permite acesso hospitalar por doença congênita ou por acidentes. Fora essas hipóteses, internações evitáveis, agravamento de doenças e mortes são consequências diretas da negligência absurda na educação, na consciência coletiva e na prioridade emergencial de investimentos em saneamento básico.
Infraestrutura
Infraestrutura viária e saneamento básico não são pautas ideológicas, nem favores eleitorais. São obrigações constitucionais do Estado. Santa Catarina produz, arrecada e sustenta parcela relevante da economia nacional. O retorno precisa vir em obras estruturantes, planejamento técnico e políticas públicas baseadas em fatos, não em retórica.
Não que a pauta desta marcha não seja legítima, ela pode e seve de instrumentos para elevar a consciência dos cidadãos sobre a importância destes temas elencados com profundidade sem viés ideológicos e com a pauta fundada no interesse público, dito isto, o eleitor catarinense deve exigir menos discurso e mais compromisso verificável. Quem não compreende a centralidade dessas pautas não está apto a governar.
José Santana
Jornalista | Especialista em Direito Constitucional
Sobre o autor
José Santana é jornalista MTB n3982/SC, formado em Gestão Pública Administrativa | pós-graduado em Direito Constitucional, fundador e editor do portal Folha do Estado. Atua há mais de três décadas no jornalismo político e institucional, com foco em fiscalização do poder público, garantias constitucionais, infraestrutura estratégica, saneamento básico e políticas públicas estruturantes, com atuação consolidada em Santa Catarina, Paraná e cobertura nacional.


















