Presidente Lula reuniu ministros do governo, membros da equipe econômica e integrantes do Judiciário para falar do combate ao crime organizado e definiu que a estratégia tem de ser conjunta
A reunião ocorreu no Palácio do Planalto a pedido do presidente. Estiveram presentes o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O combate ao crime organizado “foi elevado a ação de Estado”. “A relevância que o crime organizado assumiu impõe a necessidade de atuação comum. Cada um dos órgãos de Estado atuará em conjunto entre os Poderes”, afirmou o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, após a reunião.
Segundo Lima e Silva, é uma proposta para “ajustar a sintonia” entre órgãos. “Vocês imaginam que os órgãos de perseguição, como a Polícia Federal, a Receita Federal, elas por si só não podem viabilizar sozinhas resultados concretos de medidas que precisam passar pelo Ministério Público, chegar ao Judiciário, para que tenham a efetividade necessária para combater o crime”, explicou.
Haverá outra reunião nesta tarde, após a posse formal do ministro. “Eu acho que há uma constatação de que o tamanho do problema justifica e merece uma conjugação de esforços dessa escala”, afirmou.
A conversa, que não estava prevista na agenda, durou quase duas horas. Participaram ainda o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Secom (Secretaria da Comunição), Sidônio Palmeira, e os secretários Robison Barreirinhas, da Receita Federal, e Dario Durigan, executivo da Fazenda.
O encontro se dá bem em meio ao escândalo do Banco Master. Ontem, a PF apreendeu 23 carros avaliados em R$ 16 milhões e R$ 645 mil em espécie na nova etapa da Operação Compliance Zero, que investiga crimes envolvendo o Banco Master e fundos da Faria Lima.
Ao todo, a operação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão. Com o dono do Master, Daniel Vorcaro, seu pai, Henrique Vorcaro, e o empresário Nelson Tanure como alvos, a PF fez o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
A operação também o empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Preso ontem enquanto tentava embarcar em um jatinho para Dubai, e depois solto, Zettel disse em culto que Deus combate a cegueira dos que estão “cegos pela ambição”.
———————————
Texto: Lucas Borges Teixeira




























