Cão Orelha: o que a teoria do apego explica sobre empatia e limites na adolescência

Polícia Civil apura participação de adolescentes na morte do cão comunitário em SC. Psicóloga perinatal diz que crueldade contra animais não é fase, é sinal de alerta, e orienta como família e escola devem agir

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga a autoria das agressões que levaram à morte do cão comunitário Orelha, que vivia na Praia Brava, em Florianópolis. Segundo as autoridades, quatro adolescentes foram identificados como possíveis autores e houve buscas e apreensão de celulares e computadores para esclarecer a participação de cada um.

Para a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, o caso chama atenção porque expõe um ponto central do desenvolvimento emocional. Ela afirma que a crueldade contra um ser vulnerável não deve ser tratada como fase e que o comportamento exige resposta rápida de adultos responsáveis.

“Empatia e cuidado com o outro se constroem nos primeiros vínculos. A criança aprende a reconhecer emoções e a regular impulsos quando encontra um adulto consistente, que protege e coloca limites”, afirma.

Como a empatia se forma nos primeiros vínculos

Rafaela explica que a teoria do apego descreve como os primeiros vínculos com cuidadores ajudam a criança a se sentir segura e a aprender a lidar com frustração e estresse. Isso influencia a regulação emocional e a capacidade de considerar o sofrimento do outro.

Segundo ela, nos primeiros anos de vida, fase em que o cérebro está em rápido desenvolvimento, a criança precisa de vínculo estável com pelo menos um cuidador. Quando o cuidado é previsível e acolhedor, a tendência é formar uma base mais segura. Já quando é inconsistente, negligente ou marcado por violência, aumenta o risco de dificuldades de regulação emocional, o que pode aparecer mais tarde em comportamentos agressivos.

A psicóloga ressalta que não é possível atribuir um tipo de apego a alguém sem avaliação individual. O ponto, segundo ela, é reconhecer que comportamentos cruéis acendem um alerta e exigem resposta de adultos responsáveis.

Imaturidade ou sinal de alerta

Rafaela diferencia comportamentos compatíveis com a idade de sinais de risco do ponto de vista do desenvolvimento emocional. Para ela, a agressão a um animal não se explica apenas como imaturidade, porque crianças pequenas já podem demonstrar empatia e ajustar comportamento quando há orientação e limite.

Quando aparece crueldade, a psicóloga diz que a resposta precisa ser rápida. Para ela, adiar ou relativizar pode consolidar o padrão. Ela afirma que comportamentos antissociais e desvios de conduta costumam se conectar aos anos iniciais de cuidado, quando a criança não recebeu afeto e proteção de qualidade e pode não ter internalizado as referências de respeito ao outro.

O que família e escola devem fazer

A orientação, segundo a psicóloga, é agir com responsabilização, limite e encaminhamento. Ela defende que família e escola tratem o episódio como algo grave, com consequência clara e busca de avaliação em saúde mental. Para ela, a intervenção precoce aumenta as chances de reorientar o comportamento, enquanto deixar “para ver se passa” só torna o processo mais difícil.

Ela também alerta que muitas famílias não conseguem conduzir isso sozinhas, especialmente quando os próprios adultos repetem padrões negativos ou têm pouco repertório emocional. Por isso, a recomendação é buscar apoio de um psicólogo.

Para pais e responsáveis conversarem com adolescentes depois de um caso assim, a psicóloga sugere objetividade. Primeiro, afirmar que violência é grave e tem consequência. Depois, orientar ações práticas, como interromper agressões, pedir ajuda a um adulto e lidar com pressão do grupo.

Rafaela afirma que a prevenção começa antes do problema aparecer. Ela recomenda orientação desde a gestação e cita o pré-natal psicológico como ferramenta para apoiar o vínculo, reduzir repetição de padrões e orientar boas práticas educativas. Rotina previsível, resposta consistente às necessidades do bebê, nomeação de emoções e reparação depois de conflitos são exemplos de atitudes que fortalecem regulação emocional e empatia ao longo do desenvolvimento.

 

Por Assessoria de Imprensa

Redação
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