Presidente da Câmara de Joinville critica estratégia do NOVO e defende Adriano Silva como candidato ao governo de SC

 

Diego Machado (PSD) aponta incoerência partidária e questiona mudança de postura do NOVO ao se aproximar do PL

Política | Joinville
Joinville, 4 de fevereiro de 2026

Durante a sessão da Câmara de Vereadores de Joinville realizada nesta terça-feira (4), o presidente do Legislativo municipal, vereador Diego Machado (PSD), fez críticas públicas à condução política do Partido NOVO na articulação que aproximou o prefeito Adriano Silva do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL).

Em sua fala no plenário, Diego afirmou manter uma relação de respeito com o prefeito, mas avaliou que a estratégia adotada pelo partido contraria os princípios históricos da legenda e desconsidera o peso político de Adriano Silva no cenário estadual.

“Tenho um excelente relacionamento com o Adriano, o admiro, mas isso não impede de termos opiniões diferentes, como essa decisão absolutamente incoerente e que vai contra tudo o que o Partido NOVO sempre defendeu”, afirmou.

Ao resgatar o histórico recente do Partido NOVO em Santa Catarina, o presidente da Câmara destacou que a legenda só alcançou projeção no estado a partir da eleição de Adriano Silva, sustentando que o partido falhou ao não reconhecer sua principal liderança.

“O NOVO só existe porque o Adriano existe. O Adriano é maior que o NOVO. Se o Adriano sair, sobra o quê?”, questionou.

Diego Machado também relembrou o período em que a administração municipal enfrentou forte oposição do PL, com ataques políticos e tentativas de abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Segundo ele, a estabilidade política naquele momento foi garantida pela base aliada, especialmente pelos partidos PSD e União Brasil.

Outro ponto abordado foi o processo eleitoral. De acordo com Diego, o Partido NOVO não possuía estrutura suficiente para uma disputa majoritária, como tempo de televisão e espaço em debates, cenário que, segundo ele, só foi possível graças à coligação formada à época.

O presidente da Câmara também criticou a falta de articulação institucional das lideranças do NOVO com o Legislativo municipal, apontando ausência de diálogo com a Casa.

“Estou no quarto ano como presidente da Câmara e nunca recebi a visita dos presidentes municipal e estadual do partido. O presidente estadual, que é de Joinville, eu nunca vi, nem conheço”, declarou.

Ao final, Diego Machado direcionou suas críticas à mudança de posicionamento do Partido NOVO em relação ao governador Jorginho Mello e ao PL. Ele lembrou que, por anos, lideranças da legenda fizeram críticas públicas ao atual governador e avaliou que a guinada política representa um projeto partidário que coloca a principal liderança municipal em segundo plano.


Análise da contextualização Política

Sob a ótica da ciência política, a manifestação do presidente da Câmara de Joinville revela um fenômeno recorrente no sistema partidário brasileiro: a tensão entre lideranças executivas locais consolidadas e estratégias partidárias definidas em instâncias superiores.

Prefeitos de grandes municípios, quando detêm elevado capital político e aprovação popular, passam a representar ativos eleitorais autônomos. Nesses casos, decisões partidárias que priorizam alianças pragmáticas podem gerar desalinhamento interno, ainda que não impliquem ruptura formal.

A crítica também evidencia fragilidades na articulação vertical do partido, especialmente na relação institucional com o Legislativo municipal. A ausência de diálogo regular tende a aumentar ruídos políticos e comprometer a coesão da base, mesmo em contextos de estabilidade administrativa.

Outro ponto central é a mudança de discurso partidário. Do ponto de vista analítico, guinadas estratégicas são comuns em cenários pré-eleitorais, mas produzem desgaste quando não são acompanhadas de narrativa clara e consensual, sobretudo junto a eleitorados mais ideológicos.

Em síntese, o episódio expõe menos um conflito pessoal e mais uma disputa clássica entre projeto partidário e liderança política local, cujos efeitos dependerão da capacidade de recomposição interna e da leitura do cenário eleitoral estadual.

Nota de rodapé: Histórico catarinense

Em Santa Catarina, apenas Paulo Afonso Vieira conseguiu se consolidar como governador eleito após ser vice.

Nos ciclos mais recentes, a experiência mostra que o cargo e o apoio do titular não garantem vitória eleitoral.

Redação
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