Recorrência de violência: homem em surto invade plenário, ameaça e agride vereador e assessor em Balneário Piçarras

Episódio é o terceiro envolvendo o mesmo indivíduo no plenário; há relatos de ameaças anteriores com faca e martelo e críticas à omissão da presidência da Câmara quanto à adoção de medidas de segurança.

Política | Segurança Pública | Santa Catarina
Balneário Piçarras, 4 de fevereiro de 2026

Uma sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Balneário Piçarras foi interrompida na noite desta terça-feira (3) após um homem identificado como iniciais ( A.B) causar tumulto no plenário, proferir ameaças e se envolver em agressões, episódio que culminou com a intervenção da Polícia Militar, que realizou a contenção e imobilização do indivíduo para garantir a segurança de vereadores, servidores e do público presente.

De acordo com relato formal registrado na Delegacia de Polícia Civil de Balneário Piçarras, o episódio ocorreu por volta das 19h25min, quando o indivíduo adentrou o auditório onde ocorrem as sessões legislativas. Conforme o documento, não se trata da primeira vez que o mesmo ingressa de forma inadequada no plenário, havendo registros anteriores de comportamentos agressivos e ameaçadores.

Ameaças, agressões e interrupção da sessão

Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, inicialmente o homem aparentava estar calmo e sentou-se ao lado de um assessor da Câmara, ao fundo do auditório. No entanto, de forma repentina, passou a agredi-lo, sendo necessária a intervenção de terceiros para separação. Após o episódio, deslocou-se para a parte inferior da tribuna, onde passou a proferir ameaças em tom agressivo, utilizando palavras de baixo calão, com discurso desconexo e comportamento visivelmente alterado, descrito por testemunhas como “marretinha”.

Gleber Fabiano Pires Silveira Nome Político: Gleber Silveira Partido: PL

Diante da situação, o vereador Gleber Silveira e o advogado Diego Antônio da Silva em exercício da função, na Câmara, Diego posicionaram-se no corredor entre as cadeiras para impedir a progressão do indivíduo, que continuava ameaçando o assessor, o qual permaneceu em estado de pânico. Em determinado momento, conforme consta no registro policial e em gravações anexadas ao procedimento, o homem aproximou-se de um vereador a menos de um metro de distância e afirmou:

“Se eu quiser ir até o fundo ninguém impedirá minha passagem, porque se o Gleber encostar em mim ele sabe a punição sobre ele.”

Com a escalada da tensão e o risco à integridade física dos presentes, a Polícia Militar foi acionada, realizando a contenção e imobilização do indivíduo, restabelecendo a ordem no plenário.

Histórico de ocorrências e contexto de recorrência

No mesmo registro encaminhado às autoridades, consta que não se trata de um episódio isolado. Há relatos de que o mesmo indivíduo já teria invadido o plenário em outras ocasiões, inclusive, segundo testemunhas, portando objeto cortante e um martelo, popularmente conhecido como “marretinha”, elevando o risco à segurança institucional. O indivíduo seria conhecido das autoridades locais em razão dessas ocorrências.

Também consta no procedimento que o envolvido é paciente do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) do município, informação mencionada para fins de contextualização, sem prejuízo das medidas de segurança adotadas no momento do ocorrido.

Declaração do Assessor da Comissão Única Permanente do Poder Legislativo de Piçarras 

Em entrevista à reportagem, o advogado Diego Silva, que também atuava na sessão e relatou ter sido agredido durante o episódio, detalhou a sequência dos fatos e apontou falhas na segurança do Legislativo municipal:

Maikon Rodrigues – Vereador (PL)

“O vereador Maikon Rodrigues, presidente em exercício na ausência do presidente Lucas da Maia, solicitou a presença da guarda patrimonial da Prefeitura durante a sessão. Isso porque havia uma denúncia de que o André, que é paciente do CAPS, estaria procurando o rapaz que me agrediu. A guarda foi deslocada para atender essa situação e, nesse meio tempo, o André acabou chegando à Câmara, onde aconteceu tudo.”

Segundo Diego, esta foi a terceira ocorrência envolvendo o mesmo indivíduo no plenário da Câmara:

“Já é a primeira vez que ele atacou a Câmara? Não. Na sessão de dezembro ele estava armado com faca e uma marreta e ameaçava os vereadores e todos nós. Teve uma segunda vez em que ele voltou a ameaçar os vereadores e também me ameaçou. E agora essa terceira vez, que acabou acontecendo essas agressões.”

O vereador Gleber e o advogado Diego afirmaram que adotará todas as medidas legais cabíveis:

Advogado Diego Silva: Assessor da Comissão Única Permanente do Poder Legislativo de Balneário Piçarras

“Eu vou registrar ocorrência policial, vou fazer representação cível, criminal e administrativa de todas elas, dentro do que a lei permite. Vou acionar também o Ministério Público, porque, além de vereador, eu sou advogado, assessor de relatoria e servidor público, e fui agredido no exercício da minha função.”

Críticas à omissão e falta de segurança

Diego também criticou a ausência de providências por parte da Mesa Diretora e da presidência da Câmara, mesmo após alertas formais:

“As providências já foram cobradas pelo presidente do PL, o senhor Ângelo Marcute, por meio de ofício, e até agora esse ofício não foi respondido pela presidência da Câmara, sob comando de Lucas da Maia. Não foi feita nenhuma contratação, nem mesmo emergencial. No meu entendimento, já havia indícios suficientes para um contrato emergencial, ao menos para garantir um segurança armado nas sessões, e isso não foi feito.”

O Assessor parlamentar ainda relatou falta de apoio institucional após o episódio:

“Em nenhum momento a presidência da Câmara, sobre tutela de Lucas da Mais ou sua Assessoria entrou em contato comigo, para saber como eu estava, se eu precisava de atendimento médico ou algum tipo de suporte. Houve uma luta corporal, eu fui agredido, e isso realmente aconteceu. Apenas alguns vereadores entraram em contato comigo, com exceção do presidente Lucas.” conjecturou Diego.

Atuação institucional e acionamento da ONG Olho Vivo

Na ausência da presidência da Câmara, a ONG Olho Vivo foi acionada para acompanhar o caso, diante de registros recorrentes de episódios de violência no plenário e da ausência de providências efetivas adotadas pelo presidente da Casa para inibir novas ocorrências.

Foi informado, ainda, que o presidente da Câmara, Lucas da Maia  será formalmente oficiado, no âmbito de sua competência, com cópia à Secretaria de Segurança Pública do Estado, ao Ministério Público, além do encaminhamento de nota técnica ao juiz da Comarca, para ciência da conduta omissiva verificada no caso.

Apuração e contraditório

A ocorrência foi formalmente registrada na Polícia Civil de Balneário Piçarras, que deverá apurar os fatos, analisar o histórico do caso e avaliar eventual enquadramento legal, respeitando o devido processo legal e a presunção de inocência.

A reportagem procurou a Câmara de Vereadores de Balneário Piçarras, a presidência da Casa e as autoridades citadas para manifestação oficial. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

Antes da conclusão deste conteúdo, foi nos comunicado que o acusado registrou um vídeo, informando seus seguidores na sua rede social a forma que atuou para agredir o vereador e o funcionário da Câmara Municipal:

Nota de Esclarecimento Editorial

Em razão de o envolvido ser suspeito de apresentar disfunção cognitiva e possuir histórico de atendimento pelo CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), seu nome foi abreviado, e o  Link: https://www.facebook.com/share/r/18HaRduqe7/ relacionado ao episódio foi disponibilizado sem imagem e sem áudio, em estrita observância aos princípios da dignidade da pessoa humana, da proteção de dados pessoais, da presunção de inocência e das normas legais e éticas que regem a atividade jornalística. A medida visa evitar exposição indevida, estigmatização e violação de direitos fundamentais, sem prejuízo do dever de informar e do interesse público envolvido.

José Santana – MTB 3982/SC
Jornalista | Bacharel em Gestão Pública Administrativa
Pós-graduado em Direito Constitucional e pós-graduando em jornalismo investigativo/Uninter

 

Redação
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