Segundo Henrique Scliar, especialista em Direito Tributário e Internacional, a medida pode abrir espaço para empresas brasileiras expandirem nos EUA.
A partir de 1º de agosto, qualquer produto brasileiro que entrar nos Estados Unidos estará sujeito à nova tarifa de importação de 50%, imposta pelo presidente Donald Trump. A medida deve afetar os setores de aço, calçados e agronegócio, conforme analisa o advogado licenciado no Brasil e especialista em Direito Tributário e Internacional, Henrique Scliar.
Segundo Scliar, o efeito deve ser imediato sobre as exportações e pode levar mais empresas brasileiras a acelerarem a abertura de operações nos Estados Unidos. “Essa medida fecha a porta para a exportação direta, mas abre outras para quem pretende produzir localmente (nos EUA). Vai ganhar quem se preparar para esse novo ciclo”, afirma.
Para Henrique, apesar de a decisão ter forte componente político e econômico, enquanto setores como o agronegócio devem sentir o impacto imediato da tarifa, o movimento de adaptação já está em curso. Na visão do especialista, muita gente vai transformar esse problema em uma grande oportunidade para expandir seus negócios internacionalmente.
“Essa, inclusive, é uma das intenções do presidente Trump com a tarifa: forçar que produtos que antes eram importados passem a ser fabricados nos Estados Unidos. Então faz total sentido com o movimento que muitos empresários brasileiros já estavam considerando, de expandir ou transferir suas empresas para os Estados Unidos, justamente para evitar essa tarifa de 50%. Um empresário brasileiro pode montar uma operação aqui nos Estados Unidos, produzir localmente e vender direto no mercado norte-americano, eliminando assim esse imposto extra”, explica.
Henrique destaca ainda que, embora a decisão de Trump vá encarecer as exportações brasileiras, ela está alinhada à estratégia de reindustrialização norte-americana. “Se o brasileiro vem para cá para investir, para gerar emprego, ele vai ser muito bem-vindo. A mensagem por trás dessa política de tarifas é: ‘produza aqui que vai sair mais barato’. E há caminhos imigratórios para isso, protegidos pela legislação”, esclarece.
Caminhos para empresas brasileiras abrirem operações nos EUA
Scliar ressalta que, apesar do clima tenso entre os dois países, não há expectativa de restrição de vistos para brasileiros, mesmo com a tarifa. “Sobre restrições de vistos, eu não acredito nisso, especialmente em relação aos brasileiros. Os brasileiros são muito bem vistos aqui nos Estados Unidos. A maioria vem para empreender, gerar negócios e investir no mercado norte-americano, o que vai exatamente ao encontro da política do presidente Donald Trump. A ideia dele com essa tarifa é justamente incentivar a produção local e atrair empresas. Certo ou errado, sem entrar nesse mérito, ele tem essa intenção de atrair investidores de todo o mundo”, diz.
De acordo com Henrique, existem caminhos legais para empresas que desejam abrir operações em solo americano. “Existem caminhos imigratórios específicos para isso, como os vistos L1A, L2, EB2-NIW, dependendo muito da área. Ao mesmo tempo que fecha a porta da exportação direta, pode abrir outras para quem pretende de fato empreender nos Estados Unidos. A demanda pela produção local aqui vai aumentar. Tem setores que vão sofrer de um lado, mas também muita oportunidade surgindo, e não tenho dúvida de que quem se preparar pode sair na frente”, esclarece.
Por Jhasper Comunicação
Coluna Klug em Foco




























