Especialista explica os principais erros que atrasam ou inviabilizam a atuação de médicos brasileiros no sistema de saúde italiano
A possibilidade de construir uma carreira médica na Itália tem atraído cada vez mais brasileiros em busca de melhores condições de trabalho, valorização profissional e estabilidade. No entanto, antes de atuar no sistema de saúde italiano, é preciso superar um desafio decisivo: a revalidação do diploma médico.
Apesar de ser frequentemente tratada como mera burocracia, a revalidação é um processo técnico, rigoroso e repleto de detalhes que, quando ignorados, podem atrasar ou até inviabilizar o projeto profissional no exterior.
Revalidação é requisito para exercer a Medicina na Itália
Médicos formados fora da União Europeia precisam obter o reconhecimento do diploma junto ao Ministero della Salute, o Ministério da Saúde da Itália. É nesse órgão que a formação acadêmica do profissional é analisada e comparada aos padrões exigidos pelo sistema de saúde italiano.
“A maior armadilha hoje é acreditar que a Itália flexibilizou tudo. Isso não é verdade”, alerta a médica brasileira Gabriela Rotili, que atua na Itália desde 2021 e é CEO da DNN Learning, instituição que orienta médicos interessados em atuar no país. “As regras existem, são claras, e ignorá-las pode gerar consequências legais sérias.”
Como funciona o processo de revalidação
O pedido de reconhecimento é feito diretamente ao Ministério da Saúde italiano e exige o envio de um dossiê completo com documentos acadêmicos e profissionais. Após essa etapa, o médico passa por uma medida compensatória, que normalmente consiste em uma prova de aptidão.
Cada caso é analisado individualmente, levando em conta não apenas a formação, mas também a experiência profissional. “Cada documento enviado corretamente conta no final”, explica Gabriela.
Documentação é o principal gargalo do processo
Grande parte dos indeferimentos e atrasos está relacionada a falhas documentais. Entre os documentos exigidos estão:
– Diploma e histórico escolar detalhado, com carga horária teórica e prática
– Programas das disciplinas cursadas
– Comprovação de regularidade profissional
– Certidões negativas
– Dichiarazione di Valore, emitida pelo Consulado da Itália no Brasil
Todos os documentos devem ser traduzidos oficialmente para o italiano e legalizados ou apostilados. Além disso, algumas certidões têm prazo de validade curto, o que exige planejamento estratégico.
“Às vezes, um detalhe ignorado compromete meses de processo”, afirma Gabriela.
É possível trabalhar sem revalidar o diploma?
Essa é uma das dúvidas mais comuns e também uma das mais arriscadas. Exercer Medicina na Itália sem reconhecimento do diploma é ilegal e pode configurar crime.
Existe, no entanto, uma exceção temporária, válida até 31 de dezembro de 2029, prevista no Decreto Legge Milleproroghe, que permite a atuação limitada de médicos estrangeiros ainda não revalidados em determinadas regiões da Itália.
“Não é uma liberação geral. Trata-se de uma permissão temporária, restrita a regiões específicas e com regras bem definidas”, explica Gabriela. “É uma medida emergencial, não um atalho definitivo de carreira.”
Inscrição no conselho profissional é obrigatória
Mesmo após o reconhecimento do diploma, o médico só pode atuar plenamente após se inscrever no Ordine dei Medici, equivalente ao conselho profissional italiano. Dependendo da província, pode ser exigida comprovação de domínio da língua italiana e conhecimento das normas éticas da profissão.
Atenção a promessas de caminhos fáceis
Com o aumento da demanda por médicos estrangeiros, surgiram também promessas de processos rápidos, garantidos ou de atuação sem revalidação. Para Gabriela, esse é um dos maiores riscos para quem deseja construir uma carreira sólida no país.
“O cenário italiano é favorável, mas não é improvisado”, ressalta. “A Itália precisa de médicos, mas exige qualificação, responsabilidade e respeito à legislação. Informação correta é o primeiro passo para não transformar um projeto de carreira em um problema jurídico.”
Planejamento é diferencial de carreira
Para quem entende o processo desde o início, a revalidação deixa de ser um obstáculo e passa a ser parte do planejamento profissional.
“A revalidação não é um bloqueio intransponível. É um caminho técnico, que precisa ser feito do jeito certo”, conclui Gabriela.
Por TH Comunica – Assessoria de Imprensa




























