Essencial é despertar todas as manhãs com muito humor
Tenho acordado antes do despertador tocar. Na noite anterior, vou para a cama sem blackout nas janelas, para que a claridade da manhã me acorde. Como estamos no horário de verão, às 6h, ou até um pouco antes, eu já estou de pé. Se na adolescência e começo da vida adulta acordar cedo era um martírio, hoje é o meu compromisso inegociável. Na verdade, acordar em silêncio é o meu inegociável. Como mãe de criança pequena – mães me entenderão – eu entendi que levantar quando a casa ainda dorme é ter um momento só meu, o que faz uma enorme diferença no meu humor e transforma completamente o meu dia. O impacto que esse começo tem no resto das próximas horas acordadas não está escrito – bem, agora está.
Com vagar, esquento a água do meu supercoffee, faço minha breve oração. Anoto as intenções do dia. Faço alguns minutos de meditação e leio algumas poucas páginas de um livro. Quando Ben levanta – ele é dos meus, também acorda mais quietinho, glória – , senta ao meu lado no sofá da sala em silêncio. E ali ficamos alguns minutos, mãe e filho, até o relógio nos chamar para os compromissos da nossa rotina.
Para a neurociência, esses sistemas de ações, a que chamamos de hábitos, fazem uma modulação importante das nossas emoções. No começo, sustentar uma nova rotina não costuma ser fácil – o cérebro quer economizar energia, e prefere o caminho já conhecido – mas, pouco a pouco, uma nova ação pode ser implementada. No livro O Milagre da Manhã, Hal Elrod defende o que eu senti na prática: essa primeira hora do dia define como ele será. Como você começa seu dia influencia seu nível de energia, clareza mental e decisões. A proposta não é já lotar a agenda com produtividade. É apenas assumir o controle antes que o mundo o “invada” com urgências. Por isso, para o meu bem-estar ao longo do dia, a minha primeira hora da manhã passou a ser o meu inegociável.
Quando se fala de uma vida com mais bem-estar, por vezes imaginamos que isso se alcança com um dia de spa, massagem toda semana, banho de banheira ou qualquer outra prática que, na rotina dos mortais, quase nunca é factível. Por isso, valorizo tanto os gestos simples e cotidianos. Respeitar o que é básico para nós já faz uma enorme diferença. Você não precisa de uma infinidade de práticas para sentir que garantiu o bem-estar. Mas você precisa, antes de tudo, se escutar.
Só que a gente não consegue honrar esse inegociável se estamos no piloto automático. Se passamos os dias, as semanas e os meses como se estivéssemos na rodinha do hamster. Não tem “enter”, não tem pausa, não tem respiro. E aí tem um corpo exausto, uma mente perdida e uma vida que vai ficando desbotada.
Por isso, para a nova semana que começa, que tal pensar em qual é o seu inegociável para ter um bom dia? Aquela prática simples, mas com um grande poder transformador? Se você não faz a menor ideia, aí está uma boa oportunidade de experimentar. Se já sabe, amanhã é a oportunidade de fazer com que ela se torne um hábito na sua vida.
Uma semana cheia de inegociáveis respeitados para você.
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Por: Débora Zanelato (@deborazanelato)
Diretora de Conteúdo da Vida Simples













