Reflexão por acadêmica Maria Vitória Mesquita
Desde muito cedo, eu, Maria Vitória Mesquita, estudante do 9º período do curso de Odontologia no UNICEPLAC, aprendi que cuidar vai além de um gesto técnico: é um ato de responsabilidade, empatia e compromisso com o próximo. A partir desse entendimento profundo, surgiu em mim o desejo de seguir a Odontologia. Minha dentista, Dra. Patrícia, me ensinou e me mostrou a importância da ética, do cuidado e da atenção em cada atendimento realizado. Inspirei-me nela ao longo de cinco anos de tratamento ortodôntico, iniciados quando eu tinha 13 anos, sempre fui atendida com muita paciência e sensibilidade, e isso me marcou. Com muita calma e confiança, eu me sentia segura de estar ali, de estar nas mãos dela. Nessa experiência, descobri o que eu queria ser quando crescesse.
Sendo assim, mesmo diante de tantos questionamentos, confirmo: vale a pena ser ético, respeitoso e se doar ao próximo. Sou grata pela oportunidade de ter tido condições de realizar um tratamento de excelência.
Alguns anos após meu tratamento, ao ingressar na graduação, descobri que a formação vai muito além das salas de aula. Cada disciplina, cada prática, cada “não” recebido e cada estudo fora do horário foram necessários para construir minha visão humanizada sobre cada pessoa que passou por mim. Lembro-me das minhas primeiras cirurgias: mãos trêmulas, coração acelerado e um professor extremamente exigente, mas com verdadeiro desejo de nos ensinar a pressão da área cirúrgica. Isso me cativou de forma intensa, principalmente nas práticas clínicas, onde a junção de todo o conhecimento faz total sentido para quem vive essa realidade.
No presente momento, há uma onda de ansiedade – e eu mesma sofro com isso. Penso sobre o dia em que jogarei o capelo para cima e direi: “Estou formada! Mas e agora?”. Esses pensamentos surgem do excesso de cobrança, do medo de fracassar e de outras incertezas. É importante compreender que sentir isso não é sinal de fraqueza, mas de sensibilidade. É o reflexo de uma geração que pensa, questiona, sonha e se importa. Vivemos na era da pressa, mas crescer exige tempo e paciência.
Minha trajetória acadêmica é marcada por muitas batalhas e por uma busca constante por aprofundamento além da teoria e da prática, pela valorização da ciência e pela compreensão de que o estudo é indispensável para uma prática ética e segura. Contudo, muitas vezes me sinto como Zacarias, descrito em Lucas 1:5–25, que narra o nascimento de João Batista, quando o anjo diz: “E eis que ficarás mudo e não poderás falar até o dia em que estas coisas aconteçam, porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu tempo hão de se cumprir”.
Assim como Zacarias, muitas vezes duvido da vocação que Deus me deu. Veja bem: Zacarias recebeu a visita de um anjo e ainda assim duvidou. Como somos humanos e falhos! Mas, graças a Deus, Ele é misericordioso conosco. Muitas vezes precisei ver para crer, e noutras tantas vi e ainda assim não acreditei nas portas que se abriram.
Se você, acadêmico de Odontologia, assim como eu, olha para o futuro e se sente inseguro, digo: esforce-se para buscar seu diferencial ainda na graduação. Busque conhecer profundamente a teoria e aprimorar a prática.
Podemos concluir que é necessário aprender sobre o uso de programas, softwares e marketing digital, além de nos abrirmos sempre ao novo. Afinal, a Odontologia evolui a cada dia, e nós precisamos evoluir junto com ela. Tenho interesse pela área cirúrgica, como mencionado anteriormente, e posso afirmar: é vocação. Exige cuidados, responsabilidade, reconstrução da dignidade e devolução da autoestima. Mesmo como uma “simples estudante”, desejo devolver ao mundo minha pequena contribuição. Para mim, não há missão mais nobre do que essa, também não posso deixar de agradecer aos meus avós, que estão remando para que um dia eu chegue em terra firme!
Concluo com a frase do filósofo Immanuel Kant:
“O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”.
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Colaboração: Dr. Virgílio Galvão
De Brasília DF













