“O esquema também envolvia a criação de empresas no setor da construção civil para erguer imóveis residenciais e comerciais no litoral catarinense”
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (24) a Operação Forlands, cumprindo mandados de busca e apreensão expedidos pela 14ª Vara Federal de Curitiba nas cidades de Itapema–SC e Curitiba–PR. A ação resultou no bloqueio de contas bancárias e bens no valor de até R$ 5 milhões.
A operação contou com a participação de 11 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal, além de agentes da Polícia Federal. Os mandados visam combater um esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, com foco na descapitalização da organização criminosa investigada.
Lavagem sofisticada com imóveis e veículos de luxo
Durante as investigações, foram identificadas manobras sofisticadas de ocultação de patrimônio, com aquisição de veículos de luxo e caminhões, registrados em nome de terceiros e empresas ligadas ao grupo. A pulverização dos ativos tinha como objetivo dificultar o rastreamento dos recursos ilícitos.
Em alguns casos, as revendas dos veículos foram simuladas por valores subfaturados, finalizando o processo de lavagem e incorporando os bens ao patrimônio dos investigados.
O esquema também envolvia a criação de empresas no setor da construção civil para erguer imóveis residenciais e comerciais no litoral catarinense. Segundo os investigadores, há fortes indícios de que os empreendimentos foram financiados com valores ilícitos. Os imóveis eram posteriormente vendidos a terceiros ou transferidos para “laranjas”, o que permitia à organização lucro e aparência de legalidade.
Receita Federal inicia ações fiscais
Durante o cumprimento dos mandados, a Receita Federal intimou contribuintes envolvidos para o início das respectivas ações fiscais. Segundo o órgão, o esquema movimentou mais de R$ 100 milhões apenas em 2024, e os lançamentos de crédito tributário devem ultrapassar R$ 30 milhões.
A Receita destacou que seu papel no combate à lavagem de dinheiro é essencial que a atuação conjunta com a Polícia Federal e outros órgãos permite um enfrentamento mais eficiente ao crime organizado, sobretudo quando este tenta se infiltrar na economia formal para conferir legitimidade às suas atividades.
Investigação teve origem em outra operação
A investigação iniciou a partir de documentos obtidos na Operação Follow the Money, deflagrada em 6 de março de 2024, também voltada à lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas. Um dos focos da atual operação é a negociação de veículos de alto valor, com transações suspeitas realizadas por meio de pessoas e empresas de fachada.
Os materiais apreendidos serão analisados pela Polícia Federal e Receita Federal, e posteriormente encaminhados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal. Caso condenados, os investigados podem receber penas de até 10 anos de prisão.













